domingo, 30 de julho de 2006
Detesto dar carona
Conheço muita gente que adora dar carona. Gostam de ter alguém com quem conversar, gostam de saber que terão ajuda em caso de enguiço ou pneu furado. Só que nem todo mundo é assim. Eu, por exemplo.
Quando dirijo, principalmente se o caminho é bem conhecido, mergulho em meus pensamentos e me desligo do mundo, a ponto de nem me lembrar do trajeto mais tarde. Ou então vou ouvindo música.
Com um carona, entretanto, sou obrigado a dar atenção a alguém. Perco minha privacidade e não posso me desligar e relaxar.
O carona insiste em puxar papo, em geral sobre assuntos que não me interessam, ainda que eu responda apenas com monossílabos para ver se ele se manca.
Eu não me ofereço para dar carona, são eles que se impõem. E, pelo seu comportamento, parece até que estão me fazendo um grande favor:
-Nunca aparecem na hora marcada. Se o combinado é 07:00, aparecem na maior tranquilidade às 07:20, dizendo que havia um grande engarrafamento no caminho. Só que isto acontece todos os dias e eles já deveriam saber que era para sair de casa mais cedo.
-Pior ainda se é você que tem que passar pela casa deles: nunca estão a postos na hora combinada e você tem que esperar em lugares inseguros ou se arriscando a uma multa, além de ser xingado por atrapalhar o trânsito e bloquear portas de garagem. E aparecem calmamente, falando ao celular, fazendo você se sentir como se fosse o motorista deles.
-O mesmo acontece na hora de voltar para casa: quando todo mundo já foi embora e só resta você no estacionamento, lá vêm eles dizendo que tiveram que atender a uma ligação de última hora ou que o chefe os segurou até mais tarde.
-Querem descer nos lugares mais inconvenientes, obrigando você a sair de seu trajeto e esperar com ônibus acelerando atrás de você ou carros buzinando enquanto eles recolhem seus cacarecos sem pressa. E depois tem que fazer malabarismos para retornar à sua pista (de onde nunca deveria ter saído).
-Querem abrir a janela ("Não gosto de viajar de janela fechada", dizem, como se fosse o gosto deles que importasse).
-Chegam fedendo a suor ou cigarro e empesteiam tudo. Alguns ainda têm a cara de pau de perguntar se podem fumar.
-Tossem, espirram, pigarreiam, batucam, cantarolam. Parecem ter horror ao silêncio.
-Caronas me obrigam a tirar as coisas do banco do passageiro, onde estão à mão, e passar tudo para o banco de trás, onde vão se perder no meio de outras coisas.
-Caronas pesam. E seu peso reduz o desempenho do carro, desgasta a suspensão e os pneus e aumenta o consumo de combustível, mas nunca lhes ocorre ajudar quando você vai abastecer, mesmo que tenham sido um peso morto a bordo por semanas a fio.
-Querem que você ligue o som quando você está a fim de silêncio. Se você liga, reclamam do seu gosto ou começam a puxar assunto sobre o que você está ouvindo (impedindo-o de ouvir...). Se há mais de um chato, conversam entre si. Se você aumenta o volume para tentar ouvir alguma coisa, falam mais alto ainda para abafar (motivo pelo qual não ligo mais o som quando tenho caronas).
-Caronas insistem em mexer em tudo: na posição do banco, na regulagem da ventilação, abrem e fecham a janela, dão puxões violentos no cinto de segurança e acabam estragando alguma coisa. Claro que nunca se oferecem para lhe pagar: "Pô, foi mal, aí. Ih, lá vem meu ônibus, tchau!".
Mas será que não há no mundo alguém que você gostaria de ter a seu lado? Claro que sim, só que:
-Já tem carona.
-Já tem carro.
-Mora em outro bairro ou o horário é diferente.
Pode ser que um dia, finalmente, aquela pessoa especial precise da sua carona. Instantaneamente, algum chato se materializa do nada, dizendo: "Aí, hoje eu vou com você!".
Note que ele não pergunta se pode ir, ele afirma que vai, confortável na intimidade que julga ter conquistado com as outras vezes em que estragou sua viagem.
E vai tratar de exibir esta intimidade ao longo do trajeto, se metendo na conversa, se comportando como se seu carro fosse a casa dele.
Não adianta reclamar, não adianta dizer, explicitamente, o que você pensa dele. Chatos são imunes a críticas. Vão rir na sua cara e responder, sorridentes: "Eu sei que você não está falando de coração! Você sente a minha falta!"
Aaaarrghh!!
sábado, 24 de junho de 2006
Riqueza e pobreza
O pobre não é pobre porque existe o rico. Na verdade, o pobre só não é mais pobre justamente porque existe o rico.
O dinheiro que vai para o bolso do rico não é um dinheiro que saiu do bolso do pobre. É um dinheiro novo, que só passou a existir devido ao trabalho do rico.
Defender a distribuição forçada das riquezas é cair no erro de achar que a quantidade total das riquezas de um país é constante e que tende a se acumular nas mãos de uns poucos. Pelo contrário, novas riquezas são constantemente geradas pelo trabalho e o que acontece é que alguns estão mais capacitados a gerá-las e acumulá-las do que outros.
Se tirarmos dos ricos para dar aos pobres, em pouco tempo os ricos voltarão a ser ricos e os pobres voltarão a ser pobres. Ou, o que é pior, os ricos irão embora, em busca de um país que valorize seu trabalho produtivo e respeite seu direito à propriedade legitimamente obtida, deixando os pobres ainda mais pobres.
É melhor que os pobres comam as migalhas que caem da mesa dos ricos que não haja migalhas por não haver ricos.
A estatística mostra que mais de 90% dos ganhadores de loterias volta a ser pobre com o tempo, ou seja, eles não sabem usar o dinheiro para gerar dinheiro, sabem apenas gastá-lo. Os ricos são aqueles que sabem gerar riquezas novas.
Existem, é claro, os parasitas que, sem produzir nada, vivem às custas dos que trabalham, mas este não é necessariamente o caso dos empresários, por exemplo. Para gente assim, existe a lei. A maioria dos empresários, pelo contrário, cria empregos e permite a sobrevivência dos que não têm a capacidade de serem, eles mesmos, empresários. Não importa se eles criarem suas empresas pensando apenas em seu próprio benefício; o que importa é que, para o bem de todos, eles existem.
Há também o problema dos que nascem tão pobres que não têm a chance de fazer nada, mas, para isto, existem os impostos, através dos quais os ricos ajudam o governo a dar chances iguais a todos através de condições mínimas de educação, segurança e saúde.
A desigualdade social não é um problema em si. Reflete apenas o fato de que as pessoas são diferentes em suas capacidades e ambições. Pelo contrário, a desigualdade pode ser até um sinal da vitalidade de uma sociedade, de que é possível progredir.
Não é a desigualdade que deve ser combatida e sim a falta de oportunidades e a extrema miséria. Deve-se garantir a todos uma vida digna e a chance de progredir pelo próprio esforço, e não tentar acabar com as diferenças.
"Os
socialistas, e em especial os marxistas, sempre pensaram que existia um
estado natural de abundância. Nada mais simples, portanto, que a
economia de Robin Hood: tirar dos ricos para dar aos pobres."
- Roberto Campos
Fernando Silva
domingo, 4 de junho de 2006
Os 10 principais sinais de que você é um fundamentalista cristão
Os 10 principais sinais de que você é um fundamentalista cristão
http://www.evilbible.com/Top_Ten_List.htm
10 - Você nega com veemência a existência dos milhares
de deuses das outras religiões, mas sente-se ofendido
quando alguém nega a existência do seu.
9 - Você se sente ofendido e "desumanizado" quando
cientistas dizem que as pessoas evoluíram a partir de
outras formas de vida, mas aceita sem problema a
alegação bíblica de que nós todos viemos do barro (e a
mulher de uma costela).
8 - Você ri dos politeístas, mas acredita sem problemas
em um deus trino.
7 - Você fica indignado quando lhe falam das atrocidades
de Allah, mas não tem a mínima reação ao ouvir sobre
como o deus Jeová massacrou todos os bebês do Egito no
Êxodo e mandou eliminar grupos étnicos inteiros no livro
de Josué, incluindo mulheres, crianças e seus animais!
6 - Você ri das crenças hindus que divinizam humanos, e
dos gregos que alegam que deuses dormiram com mulheres,
mas não vê problema algum em acreditar em que o Espírito
Santo engravidou Maria, que deu à luz um homem-deus que
foi assassinado, ressuscitou e depois subiu aos céus.
5 - Você está disposto a passar a vida procurando furos
nas evidências científicas de que a Terra tem alguns
bilhões de anos de idade, mas não vê nada de errado em
se acreditar nas lendas de tribos nômades da Idade do
Bronze, que afirmam que a Terra existe há apenas umas
poucas gerações.
4 - Você acredita em que apenas os que compartilham da
sua crença serão salvos. Todo o resto da humanidade,
incluindo os membros de seitas rivais, passará a eternidade
queimando em um inferno de fogo e sofrimento. E ainda assim
considera que a sua religião é a mais tolerante e a que tem
mais amor.
3 - Embora a ciência moderna, história, geologia,
biologia e física não consigam convencê-lo, você
aceita sem discutir que algum idiota estrebuchando no chão
e falando em "línguas" por aí é evidência suficiente
para "provar" a veracidade do cristianismo.
2 - Você define como "alta taxa de sucesso" quando 0,01%
das orações são atendidas. Isto para você é uma prova de
que orar funciona. E pensa que os 99,9% restantes que
não deram certo foram simplesmente pela vontade de Deus!
1 - Você na realidade sabe muito menos sobre a Bíblia,
cristianismo e história da Igreja do que muitos ateus e
agnósticos - mas ainda assim se autodefine como cristão.
Tradução: Fábio Luis Emerim / Fernando Silva
domingo, 28 de maio de 2006
Quem foi realmente Jesus
Qual foi o verdadeiro Jesus? O que ele realmente ensinou?
Os Fundamentos da Fé
Robert Green Ingersoll (1895)
Parte V: O Cristo Teológico
No Novo Testamento, encontramos os ensinamentos e as palavras de Cristo. Se assumirmos que o livro é inspirado, então temos que admitir que Cristo realmente disse todas as coisas atribuídas a ele pelos vários autores. Se o livro é inspirado, então temos que aceitar tudo. Não temos o direito de rejeitar as contradições e absurdos e só aceitar o que é bom e razoável. Temos que aceitar tudo do jeito que é.
Pelo que pude observar, as pessoas costumam elaborar teorias consistentes, mas vivem de forma contraditória.
Assim, acredito que as palavras de Cristo foram coerentes com suas teorias, com sua filosofia.
Se eu encontro no Novo Testamento coisas contraditórias, concluo que algumas dessas palavras não foram ditas por ele. Os ensinamentos que eu julgo estarem de acordo com aquilo que eu acho que era sua filosofia, eu aceito. O resto, jogo fora.
Há alguns de seus ensinamentos que mostram que ele era um judeu devoto e outros que mostram que ele queria destruir o judaísmo. Há alguns mostrando que ele desprezava todos os povos menos os judeus e não queria salvar mais ninguém além deles e outros, que ele queria converter o mundo inteiro. Há alguns mostrando que ele perdoava e amava a todos e não era egoísta e outros, que ele era vingativo e malvado, além de outros que o mostravam como um asceta, que desprezava profundamente o relacionamento com outras pessoas.
As passagens a seguir mostram que Cristo era um judeu devoto:
"Eu, porém, lhes digo: não jurem de modo algum: nem pelo Céu, porque é o trono de Deus;
nem pela terra, porque é o suporte onde ele apóia os pés; nem por Jerusalém, porque é a sua cidade sagrada" (Mateus 5:34-35)
"Não pensem que eu vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento" (Mateus 5:17).
"Os pagãos é que ficam procurando essas coisas" (ou seja, roupa, comida e bebida) (Mateus 5:32)
Ao curar um leproso, ele disse: "Disse-lhe então Jesus: Olha, não contes isto a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho" (Mateus 08:04)
Jesus enviou seus discípulos como missionários dizendo: "A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: Não ireis aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mateus 10:05-06)
Uma mulher veio de Canaã e suplicou a Jesus: " Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim, que minha filha está horrivelmente endemoninhada" -- mas ele a ignorou. Então os discípulos lhe pediram para mandá-la embora e ele disse: "Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel." (Mateus 15:22)
Mas a mulher se prostou diante dele e lhe disse: "Senhor, ajudai-me". Ele respondeu: "Não é certo tirar o pão das crianças e jogá-lo aos cachorrinhos". Entretanto, comovido por sua fé, ele curou a criança.
Quando o jovem lhe perguntou o que deveria fazer para ser salvo, ele disse: "Siga os mandamentos da Lei".
Cristo disse: "Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus.
Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai" (Mateus 23:02)
"É, porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei" (Lucas 16:17)
Cristo foi ao templo e expulsou de lá os que compravam e vendiam, dizendo: "Está escrito que minha casa é uma casa de oração, mas vós fizestes dela um covil de ladrões".
"Nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus" (João 04:22)
Certamente, todas estas passagens foram escritas por pessoas que acreditavam que Jesus era o Messias.
Muitas das frases atribuídas a Cristo mostram que ele era um asceta, que ele não se importava com os parentes, nem com pai e mãe, nem com irmãos e irmãs e desprezava os prazeres da vida.
Cristo disse a um homem: "Vem e segue-me". O homem respondeu: "Permita que eu enterre meu pai primeiro" e Cristo disse: "Deixe que os mortos enterrem seus mortos".
Outro disse: "Eu o seguirei, mas primeiro deixe que eu me despeça dos que estão em casa".
Jesus disse: "Nenhum homem que toma o arado e olha para trás entrará no Reino de Deus. Se teu olho direito te ofende, arranque-o e jogue-o fora. Se tua mão direita te ofende, corte-a fora".
Outro lhe disse: "Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e desejam falar-te". Ele respondeu: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" Apontou então seus discípulos e disse: "Eis minha mãe e meus irmãos".
"E todo aquele que deixar sua casa, ou seus irmãos e irmãs, ou pai e mãe, ou esposa e filhos, ou suas terras em meu nome, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna".
"Aquele que ama pai e mãe mais do que a mim não é digno de mim; e aquele que ama filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim".
Aparentemente, Cristo tinha uma filosofia.
Ele acreditava em que Deus era um pai amoroso, que ele cuidaria de suas crianças e que tudo o que elas tinha a fazer era confiar totalmente em Deus.
"Bem aventurados são os misericordiosos, pois eles receberão misericórdia".
"Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês!" (Mateus 5:44).
"Portanto, não fiquem preocupados, dizendo: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?
Os pagãos é que ficam procurando essas coisas. O Pai de vocês, que está no céu, sabe que vocês precisam de tudo isso" (Mateus 5:31-32).
"Pedi e lhes será dado". "
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós".
"E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados."
Cristo parecia ter confiança absoluta em Deus, mas, quando a escuridão da morte se aproximou dele, gritou: "Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonastes?"
Embora haja muitas passagens no Novo Testamento mostrando que Cristo era gentil e perdoava, há muitas outras mostrando que ele era exatamente o oposto.
Como devia ser a mente de alguém que disse: "Eu vim para lançar fogo sobre a terra: e como gostaria que já estivesse aceso! Devo ser batizado com um batismo, e como estou ansioso até que isso se cumpra! Vocês pensam que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu lhes digo, vim trazer divisão. Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas, e duas contra três. Ficarão divididos: o pai contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora, e a nora contra a sogra." (Lucas 12:49-53)
sábado, 14 de janeiro de 2006
Por que Jesus?
Jesus sempre foi tido em alta consideração tanto por cristãos quanto não-cristãos. Tenha ele realmente existido ou não, tenha ele sido de origem divina ou não, muitos afirmam que o Novo Testamento é o maior exemplo de moralidade. Muitos acreditam que seus ensinamentos, se verdadeiramente compreendidos e seguidos, fariam do mundo um lugar melhor.
Isto é verdade? Jesus merece a adoração generalizada que sempre recebeu? Vamos examinar o que ele disse e fez.
Jesus era pacífico e compassivo?
O nascimento de Jesus foi anunciado com "paz na terra", e no entanto Jesus disse: "Não penseis que vim trazer paz à Terra: não vim trazer paz, mas uma espada." (Mateus 10:34). "Aquele que não tem espada, que venda sua capa e compre uma." (Lucas 22:36). "Quanto, porém, a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença." (Lucas 19:27 - Nota: na verdade, este trecho era parte de uma parábola, mas termina sem maiores explicações).
A queima de hereges durante a Inquisição se baseou nas palavras de Jesus: "Se alguém não permanecer em mim, será jogado fora como um ramo de árvore, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam." (João 15:6).
Jesus tinha "raiva" (Marcos 3:5) de seus críticos e atacou mercadores com um chicote (João 2:15). Ele mostrou o respeito que tinha pela vida ao afogar animais inocentes (Mateus 8:32). Ele se recusou a curar uma criança doente até que foi pressionado pela mãe dela (Mateus 15:22-28).
O seu caráter se revela principalmente quando ameaça com o sofrimento eterno: "Mandará o Filho do homem (o próprio Jesus) os seus anjos que ajuntarão do seu reino todos os escândalos e os que praticam a iniqüidade; e os lançarão na fornalha acesa; ali haverá choro e ranger de dentes." (Mateus 13:41-42). "E se a tua mão te ofende, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível." (Marcos 9:43).
Que bondade é esta? Dá bom exemplo quem impõe sua vontade através de ameaças de violência? Seria o inferno um lugar agradável e pacífico?
Jesus incentivou os "valores familiares"?
"Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai, mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e ainda sua própria vida, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:26)
"Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai, entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. E assim os piores inimigos de um homem serão os seus próprios parentes." (Mateus 10:35-36)
Quando um de seus discípulos quis ausentar-se para o funeral de seu pai, Jesus o repreendeu: "Deixe que os mortos sepultem seus mortos." (Mateus 8:22)
Jesus nunca usou a palavra "família." Ele nunca se casou ou teve filhos. Para sua própria mãe, ele disse: "Mulher, que tenho a ver contigo?" (João 2:4).
O que ele pensava sobre igualdade e justiça social?
Jesus afirmou que os escravos deveriam ser chicoteados: "Aquele servo (escravo), que sabia a vontade de seu senhor, e não se preparou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites." (Lucas 12:47). Ele nunca condenou a escravidão, mencionando escravos e senhores em muitas de suas parábolas.
Ele nunca fez nada para reduzir a miséria. Em vez de vender um perfume caro para ajudar os pobres, gastou tudo com ele mesmo, dizendo: "Pobres, sempre os tereis" (Marcos, 14:3-7).
Ele não escolheu mulheres como discípulos ou as convidou para a Última Ceia.
Que princípios morais Jesus nos deixou?
"Há eunucos que a si mesmos fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Aquele que é capaz o admitir, admita." (Mateus 19:12). Alguns dos primeiros cristãos, inclusive o Pai da Igreja Orígenes, seguiram isto literalmente e se castraram. Mesmo como metáfora, este conselho é de mau gosto.
-Se seu olho ou sua mão forem causa de pecado, arranque-os fora Mateus 5:29-30, sobre o sexo).
-Casar-se com uma mulher divorciada é adultério (Mateus 5:32).
-Olhar para uma mulher com desejo é adultério (Mateus 5:28)
-Não planeje seu futuro (Mateus 6:34).
-Não guarde dinheiro (Mateus 6:19-20).
-Não fique rico (Marcos 10:21-25).
-Venda tudo o que tem e dê aos pobres (Lucas 12:33)
-Não trabalhe para conseguir comida (João 6:27)
-Faça com que as pessoas queiram perseguí-lo (Mateus 5:11).
-Diga a todos que você é melhor que os outros (Mateus 5:13-16).
-Tome dinheiro de quem tem pouco e dê para investidores ricos (Lucas 19:23-26).
-Se alguém lhe roubar alguma coisa, não tente recuperá-la (Lucas 6:30).
-Se alguém lhe bater, peça para baterem de novo (Mateus 5:39).
-Se tiver que indenizar alguém, pague mais do que o devido (Mateus 5:40).
-Se lhe obrigarem a andar um quilômetro, ande dois (Mateus 5:41).
-Se alguém lhe pedir alguma coisa, dê sem discutir (Mateus 5:42).
-Não se preocupe com a higiene e com o que come (Marcos 7:15)
Isto é sensato? É isto que você ensinaria a seus filhos?
Jesus era confiável?
Jesus disse aos discípulos que eles ainda estariam vivos quando ele voltasse: "Em verdade vos digo que alguns aqui se encontram que de maneira nenhuma passarão pela morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino" (Mateus, 16:28). "Vejam, eu venho rapidamente" (Apocalipse 3:11). Já se passaram 2000 anos e os crentes ainda esperam pelo seu retorno "em breve".
Ele errou ao dizer que a semente da mostarda é "a menor de todas as sementes" (Mateus 13:32) e que o sal poderia "perder seu sabor" (Mateus 5:13).
Jesus disse que quem chamasse aos outros de "louco" poderia ir para o inferno (Mateus 5:22), mas ele próprio chamou aos outros de louco várias vezes (por exemplo, Mateus 23:17).
Quanto à sua própria confiabilidade, Jesus deu duas respostas conflitantes: "Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro" (João 5:31) e "Ainda que eu dê testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro" (João 8:14).
Jesus foi um bom exemplo?
Ele amaldiçoou e fez secar uma figueira por não dar frutos fora de época (Mateus 21:18-19 e Marcos 11:13-14). Ele infringiu a lei ao roubar trigo em dia de sábado (Marcos 2:23) e mandou que seus discípulos levassem um cavalo sem pedir permissão ao dono(Mateus 21).
O "humilde" Jesus se disse "maior que o templo" (Mateus 12:6), "maior que Jonas" (Mateus 12:41) e "maior que Salomão" (Mateus 12:42}. Pareceu sofrer da paranóia dos ditadores quando disse que "Quem não é por mim é contra mim" (Mateus 12:30).
Por que Jesus?
Embora se possam citar passagens que mostrem Jesus de forma mais favorável, elas não apagam esse lado preocupante de seu caráter. E o fato de conflitarem com as outras mostram que o Novo Testamento é contraditório.
A "Regra de Ouro" já tinha sido dita muitas vezes por outros líderes religiosos (Confúcio: "Não faça aos outros o que não queres que te façam"). "Dê a outra face" encoraja as vítimas a pedirem mais violência. "Ama teu próximo" só se aplica aos que seguem a mesma crença (nem Jesus nem os judeus mostraram muita simpatia por outras religiões). Algumas das bem-aventuranças ("Bem-aventurados são os promovem a paz") são aceitáveis, mas não passam de promessas, de condições para se receber uma recompensa futura, e não baseadas no respeito à vida e aos valores morais.
No conjunto, Jesus disse pouca coisa aproveitável. Não trouxe nada de novo para a ética (exceto o inferno). Não criou programas sociais. Sendo "omnisciente", ele poderia ter contribuído com informações úteis para a ciência e a medicina, mas ele parecia não entender nada destes assuntos (como se ele fosse apenas um personagem inventado por escritores com o conhecimento limitado do primeiro século).
Muitos estudiosos têm dúvidas quanto à existência de um Jesus histórico. Albert Schweitzer disse que "O Jesus histórico é, para nossa época, um estranho e um enigma". Nenhum escritor do primeiro século confirma a história de Jesus. O Novo Testamento é contraditório e cheio de erros históricos. Conta uma história cheia de milagres e outras alegações fantásticas. Consiste em sua maior parte de material emprestado às religiões pagãs e o Jesus que ele descreve não é muito diferente dos outros mitos e fábulas.
Por que Jesus é tão especial? Seria mais sensato e produtivo falar de pessoas reais, de carne e osso, que contribuíram para a humanidade - mães que deram à luz, cientistas que aliviaram o sofrimento, reformadores sociais que combateram as injustiças - que adorar um sujeito com um caráter tão duvidoso quanto o de Jesus.
Comentários:
Sei que estou tratando o Novo Testamento como se as palavras e feitos de Jesus fossem a verdade literal. Sei que há controvérsias quanto à autenticidade de muitas das passagens citadas acima. O Jesus Seminar, por exemplo, afirma que em torno de 85% das palavras e ações de Jesus contidas no Novo Testamento não são autênticas. Ele nunca disse ou praticou a maior parte delas. Este texto é dirigido aos que acreditam que o Novo Testamento não contém erros e é inspirado por Deus.
Desde que este trabalho se tornou disponível na Internet, recebi muitas queixas de que eu usei esses trechos "fora de contexto". Do modo como eu e os estudiosos da Bíblia vemos a coisa, isto pode ser verdade, ou seja, a maioria dos trechos podem ser eliminados do livro.
Entretanto, do modo como os fundamentalistas e evangélicos entendem o assunto, ou seja, segundo os que pensam que estou criando uma falsa imagem de Jesus, não estou usando nada fora de contexto. Nenhum dos que reclamaram deu um exemplo específico ou explicou a que "contexto" eles se referem, nem tampouco indicou qual o verdadeiro significado, não literal, dos trechos citados.
Texto nº 12. Publicado pela Freedom From Religion Foundation, Inc., PO Box 750, Madison WI 53701.
Texto original: http://www.ffrf.org/nontracts/jesus.html
Você pode distribuir este documento por email, mas, por favor, não distribua cópias impressas.
Copyright 1993 Dan Barker. Todos os direitos reservados.
domingo, 9 de outubro de 2005
Vender a alma a Deus ou ao Diabo?
Do ponto de vista moral, não há diferença entre se vender a alma ao diabo
e entregá-la a Jesus. Escolheremos a opção que resultar no maior benefício.
Para a maioria das pessoas, é claro, uma eternidade no céu mais que compensa
uma vida sofrida e sem graça, enquanto que os prazeres de uma curta vida não
compensam a eternidade no inferno.
Tudo se resume à escolha da opção mais vantajosa, não a de moral mais elevada.
Será que nos decidiríamos pelo caminho da ética se isto resultasse apenas na
satisfação do dever cumprido, enquanto que vender a alma ao diabo nos desse
uma eternidade de prazer?
A verdade é que assumimos que Deus é o padrão de moralidade absoluta, sem
termos nenhuma evidência disto. Se o que ele faz nos agrada, dizemos que ele
é bom. Se não nos agrada, assumimos que ele está certo, de um modo que não
podemos entender. Se um ônibus desgovernado se desvia no último instante,
poupa nossa família e mata outra, nós agradecemos a Deus enquanto os
sobreviventes da outra abaixam a cabeça em submissão a seus obscuros
desígnios.
Entretanto, se não sabemos por que Deus matou a outra família, também
não podemos ter a pretensão de saber por que ele poupou a nossa.
Não sabemos se ele é bom e justo, apenas queremos desesperadamente
acreditar nisto para que nosso sofrimento faça sentido.
Da mesma forma, se as formigas pudessem pensar, nos louvariam quando
deixássemos cair açúcar e aceitariam resignadas quando as exterminássemos
logo a seguir, talvez vendo no fato a justa punição por supostos pecados.
E elas saberiam tanto sobre nossos motivos quanto sabemos sobre os de
Deus. O Deus que nós mesmos criamos para tentar explicar um mundo que
não faz sentido
Por Fernando Silva, a partir de um comentário de Acauan dos Tupis
e entregá-la a Jesus. Escolheremos a opção que resultar no maior benefício.
Para a maioria das pessoas, é claro, uma eternidade no céu mais que compensa
uma vida sofrida e sem graça, enquanto que os prazeres de uma curta vida não
compensam a eternidade no inferno.
Tudo se resume à escolha da opção mais vantajosa, não a de moral mais elevada.
Será que nos decidiríamos pelo caminho da ética se isto resultasse apenas na
satisfação do dever cumprido, enquanto que vender a alma ao diabo nos desse
uma eternidade de prazer?
A verdade é que assumimos que Deus é o padrão de moralidade absoluta, sem
termos nenhuma evidência disto. Se o que ele faz nos agrada, dizemos que ele
é bom. Se não nos agrada, assumimos que ele está certo, de um modo que não
podemos entender. Se um ônibus desgovernado se desvia no último instante,
poupa nossa família e mata outra, nós agradecemos a Deus enquanto os
sobreviventes da outra abaixam a cabeça em submissão a seus obscuros
desígnios.
Entretanto, se não sabemos por que Deus matou a outra família, também
não podemos ter a pretensão de saber por que ele poupou a nossa.
Não sabemos se ele é bom e justo, apenas queremos desesperadamente
acreditar nisto para que nosso sofrimento faça sentido.
Da mesma forma, se as formigas pudessem pensar, nos louvariam quando
deixássemos cair açúcar e aceitariam resignadas quando as exterminássemos
logo a seguir, talvez vendo no fato a justa punição por supostos pecados.
E elas saberiam tanto sobre nossos motivos quanto sabemos sobre os de
Deus. O Deus que nós mesmos criamos para tentar explicar um mundo que
não faz sentido
Por Fernando Silva, a partir de um comentário de Acauan dos Tupis
domingo, 14 de agosto de 2005
Refutando argumentos religiosos
"Liberdade é o direito de dizer às pessoas aquilo que elas não querem ouvir"
George Orwell
No que eu creio:
Sou ateu. Não acredito na existência de Deus.
Deus pode existir ou não. Não posso provar nem que Deus existe nem que Deus não existe. Entretanto, na falta de evidências objetivas de que Deus exista, não vou acreditar nele. Deus pode até existir, mas eu não sei se ele existe, portanto não acredito em Deus. Não estou afirmando categoricamente que Deus não existe, mas apenas que não faz sentido falar em acreditar em algo se você não sabe ao certo se a coisa existe ou não. De certa forma, portanto, sou também um agnóstico.
Ao longo deste texto, usarei o termo "teísta" para aqueles que acreditam em um deus, ou deuses de qualquer tipo. Meu objetivo é ser genérico, sem abordar nenhuma religião em particular, mas apenas o conceito de deus (que é comum à maioria das religiões do mundo, com a notável exceção do budismo). Desta forma, vou me referir a deus como "ele", porque é tradicional, mesmo que não faça sentido atribuir um gênero a um ser supremo. Este texto está dividido em uma série de argumentos que me foram apresentados por amigos religiosos com os quais eu discuti suas crenças, seguidos da minha refutação.
Refutações:
1. Se Deus não existe, me prove.
2. Se Deus não criou o universo, de onde ele veio?
3. Se Deus não existe, por que tanta gente acredita nele? Como é possível que toda essa gente esteja errada?
4. Deus é tudo e tudo está em Deus.
5. Mas eu sinto Deus em mim e em tudo a meu redor.
6. E a alma? O que acontece à sua alma quando você morre?
7. Como você explica os milagres e todos esses fatos espantosos?
8. Sem religião e crença em Deus, o mundo seria uma anarquia.
9. Por que você faz isso? Por que não respeita a opinião dos outros?
Outros pontos a considerar:
1. O problema do mal.
2. A incompatibilidade entre os conceitos de destino, livre arbítrio e a omnisciência de Deus.
3. Deus pode mudar as leis da lógica? Deus pode fazer com que 2+2=5? Como se define a omnipotência?
4. Por que você acha que é especial?
5. Deus é definido antropomorficamente.
6. Suponhamos que Deus exista. E daí?
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Refutações:
1. Se Deus não existe, me prove.
Prova por eliminação - se você não pode provar que Deus não existe, então ele existe. Parece justo, mas é uma falácia. Da mesma forma, se eu não posso provar que os deuses das outras religiões não existem, então eles existem, assim como duendes, elfos e saci pererê.
Além disto, é impossível provar que Deus não existe se assumimos que Deus é omnisciente e omnipotente. Se eu encontrasse uma prova convincente de que Deus não existe, seria perfeitamente razoável um teísta me responder que Deus permitiu que eu encontrasse aquela prova (já que ele é omnipotente) para me testar.
O importante é que também não há uma prova de que ele exista. Na falta de prova positiva quanto à existência de algo, não se pode simplesmente assumir que deve existir alguma prova. Se eu lhe dissesse que a tela do computador em que você está lendo isto agora não é apenas uma tela, mas esconde uma câmera de vídeo para lhe espionar, você provavelmente não acreditaria. Com toda a razão, você me pediria provas, mas eu também poderia exigir, do mesmo modo, que você me provasse que a câmera não estava lá. Você, naturalmente, me diria que seu monitor parece normal. Eu diria que a câmera estava escondida. Você poderia então fazer uma série de testes científicos, desmontando o monitor e analisando seus componentes. E não acharia a câmera. Não faz diferença, eu diria. Você não pode achá-la porque ela foi tornada invisível e indetectável por uma tecnologia do século 29. Agora você não tem saída. Com esta minha resposta, você não tem como provar que seu monitor não esconde uma câmera disfarçada.
Os teístas defendem a existência de Deus exatamente assim. Se eu olho para o universo, eu não vejo Deus, só o universo. Você me diz que Deus está lá, mesmo que eu não possa vê-lo. Não há nenhum método científico para detectar a existência de Deus (equivalentes aos testes para detectar a presença da câmera de vídeo escondida), portanto eu continuarei sem acreditar em você. Entretanto, eu não posso refutar sua alegação simplesmente por causa do modo como você definiu Deus. Assim como não faz sentido você acreditar na câmera invisível, também não faz sentido eu acreditar em Deus.
2. Se Deus não criou o universo, de onde ele veio?
Eu não sei de onde veio o universo. Nem você, e daí a sua necessidade de atribuir sua criação a um deus. E eu então lhe pergunto: de onde veio Deus? Você, como teísta, me dirá que Deus não precisa ter sido criado, ele apenas existe. Para mim, entretanto, de um ponto de vista racional, isto só serve para complicar o problema desnecessariamente. Você não consegue explicar como o universo surgiu e então postula a existência de algo que o criou e que, por sua vez, você não sabe explicar. Isto poderia levar a uma série de deuses infinita, o que é um modo absurdo de lidar como o problema (além disso, não há nada a favor desta tese). Por que não admitir simplesmente que o universo não precisou ser criado em vez de empurrar o problema para um nível acima? Não faz sentido afirmar que tudo tem que ter um criador e depois, arbitrariamente, dizer que Deus é uma exceção a esta regra.
Se a pessoa não entende um problema e não tem informações em que se basear para opinar sobre o problema, então não faz sentido inventar uma teoria a respeito e simplesmente assumir que ela é válida até que alguém prove o contrário. A pessoa estará fingindo saber de algo que ela não sabe e perderá a motivação para estudar mais sobre o assunto. Se não sabe, não invente, pesquise. Se não quer pesquisar, diga apenas "Não sei".
3. Se Deus não existe, por que tanta gente acredita nele? Como é possível que toda essa gente esteja errada?
A maioria das pessoas acredita em Deus, é verdade. Mas por quê? Deixe-me inverter a questão. Por que você acredita em Deus? De onde vem sua crença?
Você nasceu com ela? Não.
Todo mundo, na prática, nasce ateu. Um bebê não sabe nada. Não tem nenhuma idéia de Deus, ou de sua mãe, ou mesmo do fato de que ele é uma criança. Conhecimento e consciência vêm com a experiência. As pessoas, em geral, recebem sua fé durante sua educação. Se isto não fosse verdade, os demógrafos (cientistas que estudam estatísticas populacionais) não seriam capazes de criar aqueles belos mapas coloridos que você vê nos atlas e livros de geografia mostrando a distribuição das religiões mundiais. A religião costuma ser ensinada nas escolas, a prática religiosa está firmemente entranhada nas sociedades e mesmo pessoas que não se consideram "religiosas", costumam admitir que há um deus, pelo menos no sentido de uma "realidade superior".
Não estou dizendo que todos os que acreditam em Deus são idiotas. A religião é um fenômeno social, e fenômenos sociais são muito difíceis de mudar. Vejamos um outro exemplo. Até recentemente, era universalmente aceito (em todas as culturas, embora algumas costumem negar isto) que homens são intelectualmente superiores às mulheres. Por toda a história, houve papéis masculinos e papéis femininos, e o papel do macho sempre foi dominante. Mesmo hoje, isto é a norma em muitos casos (quantos chefes de Estado são mulheres?). Para a maioria de nós, hoje em dia, esta atitude é, além de obviamente errada, estúpida. Usando-se o argumento de que, desde tempos imemoriais, o homem sempre acreditou em poderes superiores e que, portanto, tal poder DEVE existir, chega-se também à conclusão de que as mulheres são inferiores ao homem, já que sempre foi assim.
Mudar a atitude com relação às mulheres não tem sido fácil e o preconceito persiste, embora muito tenha sido feito nos últimos 2 séculos. Mudar a atitude com relação à religião também é muito difícil. As pessoas estão mudando, mas é um processo lento e uma luta constante.
Só para reforçar a tolice deste argumento, vamos considerar a idéia da Terra como o centro do universo. Os objetos celestes realmente parecem girar em torno dela. O trabalho conjunto de Copérnico, Kepler e Newton mostrou que é a Terra que gira em torno do Sol. Mas, mesmo assim, muitos não acreditaram. A Igreja Católica foi contra e mais tarde prendeu Galileu Galilei por defender essa teoria.
Levou muito tempo até que a crença na Terra como o centro do universo perdesse a força. E, contudo, seria ridículo dizer que todas essas pessoas eram idiotas. A sociedade e a sabedoria que se recebe dela têm enorme poder sobre o pensamento humano, especialmente no caso de pessoas com pouca instrução. É comum descobrir que, em sociedades religiosas, há mais ateus e agnósticos nos grupos com educação superior do que no resto da população. A ignorância produz certezas, o conhecimento crescente leva a dúvidas crescentes.
4. Deus é tudo e tudo está em Deus.
Este argumento não faz sentido. É uma tautologia, ou seja, apenas afirma que "tudo é tudo", só que usando mais palavras. Se você pensar bem a respeito, na verdade não significa nada, exceto que iguala Deus ao universo e já discutimos isto no início. Esta visão de Deus é conhecida como panteísmo.
5. Mas eu sinto Deus em mim e em tudo a meu redor.
Você pode sentir Deus, tudo bem, mas o que isto lhe diz sobre a realidade? Suas emoções não afetam a realidade externa e assumir que afetam é como se considerar o centro do universo. Como disse o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, "uma visita ao hospício mostra que a fé não prova nada". O fato de um esquizofrênico achar que todos querem matá-lo não prova que isto é verdade. E você é muito diferente de um esquizofrênico. Eles têm um desequilíbrio químico em seus cérebros que gera essas crenças estranhas. Entretanto, não há dois cérebros iguais e, de certa forma, poderíamos dizer que cada um de nós tem algum tipo de desequilíbrio. Sua fé, suas crenças e seus sentimentos têm a mesma validade como prova de coisas reais que no caso de um esquizofrênico.
Em segundo lugar, mesmo que você pudesse extrapolar a partir de suas experiências subjetivas sobre o que você sente que é a realidade, o que tornaria seus sentimentos sobre Deus mais válidos que os meus? Neste planeta, há muitos sentimentos diferentes sobre o que é Deus, o que invalida o argumento. Deus não pode ser, ao mesmo tempo, a realidade superior omnipresente de um panteísta, o velho barbudo das crianças cristãs e ainda não existir, como supõem os ateus e budistas. São idéias incompatíveis.
6. E a alma? O que acontece a sua alma quando você morre?
O que é "alma"? O que você entende por isto? A maioria das pessoas têm apenas uma idéia vaga do que ela seja, mas costumam usar a palavra para significar a personalidade humana. De onde vem a personalidade humana? Há consideráveis evidências indicando que ela seja uma propriedade do cérebro. Se você danifica uma área do cérebro, sua personalidade pode se alterar bastante. Quando você morre, o que acontece a seu cérebro? Ele apodrece ... o que é um dano considerável. Sem oxigênio, as células cerebrais morrem e os impulsos eletroquímicos entre elas, que constituem seus pensamentos, seus conhecimentos, suas memórias, suas emoções e sua personalidade, cessam de existir. Você não mais existe como "pessoa". E não sobra nada de sua "alma".
Em segundo lugar, se você acredita em uma alma imortal, o que se torma imortal? Já mostramos acima que aquilo que você é depende da configuração física de seu cérebro. Seus sentimentos, crenças, personalidade etc. deixam de existir após a morte. Há algum mecanismo que leve estes complexos atributos para o pós-vida? Qual é? Como alguém pode afirmar que uma coisa tão espantosa existe e não ser capaz de explicar como funciona ou provar que existe? Além disto, sua "alma" está sempre mudando durante a vida. Qual "alma" é preservada pela eternidade? A dos 6 anos? Dos 16? Dos 60? Ou o estado em que sua alma está quando você morre? E se você morrer esquizofrênico? Sua alma será esquizofrênica ou será o que era antes da doença? Você se torna uma pessoa diferente a cada momento.
Se a alma é algo mais que suas crenças, personalidade e sentimentos, o que você entende por "alma"? Crenças, personalidade e sentimentos são o que o torna um indivíduo único. Se é alguma outra coisa que é preservada, então sua individualidade não sobrevive, ela é apenas algo que é comum a todas as pessoas, uma espécie de "força vital", não sua "alma". Este conceito de "força vital" já está totalmente desacreditado, totalmente refutado pelos enormes avanços que a ciência fez durante o século XX. nos campos da biologia molecular e celular. E ainda há perguntas sem resposta, muitas das quais nem vêm à mente dos que acreditam num pós-vida. O que faz essa alma quando se torna eterna? O que significa ser eterno? Ela se reencarna? Se sim, quais aspectos da pessoa se reencarnam? Como afirmar que uma pessoa é a reencarnação de outra? Ou é apenas o karma, ou seja, os pesos relativos de suas boas e más ações, que passa de uma vida para a outra? Se você acredita que a alma se torna parte de Deus, o que isto realmente significa? Como é possível acreditar em um conceito tão complexo sem nenhuma evidência, sem se fazer todas estas perguntas?
A maioria das pessoas que acreditam em coisas assim em geral não tem a mínima idéia de seu significado. Em resumo, não faz sentido se preocupar com um pós-vida quando não sobra nada de nós para viver nessa outra dimensão. Ou se não há evidências de que ela exista.
7. Como você explica os milagres e todos esses fatos espantosos?
As pessoas passam a vida reparando em coincidências. São experiências incomuns e causam uma forte impressão, portanto as pessoas não as esquecem. Elas colecionam essas coincidências memoráveis por toda a vida e se esquecem de todas as vezes em que coisas espantosas não aconteceram. Quando essas coincidências são reunidas em livros sobre o sobrenatural, OVNIs etc., elas parecem ter um peso bastante convincente, mas É PRECISO levar também em conta todas as vezes em que coincidências não ocorreram. Coincidências podem acontecer por acaso. Além disto, muitas delas podem ser falsas. Infelizmente, as pessoas são muito crédulas. Há prêmios oferecidos para quem apresentar quaisquer evidências de fenômenos sobrenaturais, ainda que pequenos. Ninguém conseguiu provar nada, até hoje. A pergunta é: por quê? Por que será que nenhum místico, astrólogo ou vidente jamais conseguiu que suas habilidades fossem provadas pelos cientistas que se dedicam à parapsicologia? O interesse do público por este assunto é tão grande que qualquer comprovação se espalharia pela mídia como um incêndio.
Sorte e acaso são coisas espantosas e, às vezes, tão espantosas que é difícil para nós atribuir fatos estranhos ao simples acaso. Mas a natureza é aleatória, como postula o Princípio da Incerteza de Heisenberg. Mesmo Albert Einstein, talvez um dos maiores cientistas que já viveu, passou a segunda metade de sua vida tentando refutar Heisenberg e quase todo o resto da Mecânica Quântica (o campo da física que descreve as interações de partículas muito pequenas), e disse que "Deus não joga dados". Acabou tendo que admitir que estava errado e aceitou as teorias. Se ele estava errado sobre isto, talvez estivesse errado também (e eu acho que estava) sobre a existência de Deus (N.T: ele próprio negou acreditar em Deus. Ou mudou de idéia ao longo da vida ou sua frase era apenas retórica).
8. Sem religião e crença em Deus, o mundo seria uma anarquia.
Uma afirmação interessante e frequente. O argumento contém sua própria refutação, pois implica em que a religião funciona como uma ferramenta de controle social. A desumanidade desta atitude foi condenada por Albert Einstein, cujas palavras se seguem:
"O comportamento ético de um homem deveria realmente se basear no respeito pelos outros, educação e laços sociais. Uma religião não é necessária. O homem seria bem limitado se tivesse que ser controlado pelo medo da punição e a esperança de recompensa após a morte".
A compaixão religiosa, se for motivada apenas pelas razões acima, não passa de uma forma hipócrita de egoísmo piedoso. Claro que isto nem sempre é o caso e há muita gente que ajuda os outros desinteressadamente, não por causa da religião mas devido à sua preocupação intrínseca com o bem estar dos outros.
Quantas pessoas foram mortas em nome da religião?
A idéia de que uma sociedade sem religião é uma sociedade perversa é ingênua e arrogante. Preocupar-se com outras pessoas, preocupar-se com todas as pessoas, simplesmente porque são humanas, sem esperar recompensa ou castigo, é que é a verdadeira virtude.
As religiões costumam incluir em seu "pacote" de preceitos as regras básicas de moral da sociedade que as pratica, e isto pode fazer diferença no caso de quem não tem nenhum padrão de moral, talvez por falta de uma educação adequada, mas também incutem nas pessoas um monte de conceitos errados. Uma educação adequada, por uma família normal, costuma fornecer uma base ética e moral para as pessoas, sendo a religião totalmente dispensável e às vezes até prejudicial.
9. Por que você faz isto? Por que não respeita a opinião dos outros?
Isto é muito simples de explicar: não se pode ter uma opinião subjetiva da realidade. A realidade ou é isto ou é aquilo. Deus existe ou não existe. A existência de uma coisa é uma questão de lógica, não de simpatia pela idéia de que ela exista. Não é um conceito subjetivo como "beleza". Cada um pode ter uma opinião diferente sobre o livro "Alice no País das Maravilhas", por exemplo, mas não pode haver opiniões diferentes sobre a existência do livro. Ou ele existe ou ele não existe, e só uma destas duas opiniões é válida. A questão da existência deste livro é fácil de resolver. A questão da existência de Deus é bem mais complicada.
Um outro ponto é que uma opinião não merece respeito só porque alguém a considera válida. A maioria das pessoas têm opiniões que elas receberam de outros e nunca questionaram a fundo. Este tipo de opinião não tem valor enquanto não for analisada e provada. Devemos aceitar a opinião de Hitler sobre os judeus apenas porque é a opinião dele?
Outros pontos a considerar
1. O problema do mal.
A maioria das pessoas religiosas acredita na existência do mal. Mesmo se você não acredita no mal, ainda há a questão do sofrimento
Um ponto central das crenças cristã, islâmica e judaica é que só há um deus. Ele é todo-poderoso, omnisciente e infinitamente bom. Se alguém sofre, então, como esse deus tão bom permite que o sofrimento continue? Se um ser humano tem os meios de ajudar alguém que está sofrendo e não o faz, não podemos dizer que ele é inteiramente bom.
Deus conhece o sofrimento de todos os seres humanos. Do sofrimento de uma criança vendida como escrava na África ao de um milionário morrendo de câncer num hospital particular de um país rico e o da mulher que apanha todos os dias de seu marido bêbado.
Ele sabe de tudo isto. Ele também sabe como acabar com esse sofrimento, já que ele sabe de tudo, e pode fazê-lo, já que é todo-poderoso. Se ele é infinitamente bom, ele deveria QUERER fazê-lo. Então, por que ele não faz?
Nenhum deus que permita tal sofrimento (e é claro que há sofrimentos ainda maiores que os citados), mesmo tendo a capacidade de acabar com ele, pode ser considerado bom. Deus, segundo esta análise, não atende nem aos mais básicos padrões de moral. A afirmação de que "Deus é onipotente. Deus é infinitamente bom. O mal existe" é logicamente contraditória.
Argumentar que "os caminhos de Deus são incompreensíveis" é apenas fugir da questão e assumir, convenientemente, que tudo se explicará um dia, de alguma forma.
Argumentar que a culpa é do próprio homem, que cometeu o "pecado original" e forçou Deus a expulsá-lo do Paraíso, implica em aceitar que:
-Adão e Eva existiram e comeram da Árvore do Bem e do Mal, o que, até prova em contrário, não passa de lenda.
-Adão e Eva foram castigados, embora, por mais que Deus os tivesse alertado, não tivessem malícia e não pudessem duvidar das palavras da serpente, uma criatura de Deus que vivia com eles no Paraíso.
-Temos livre arbítrio e podemos contrariar a vontade de Deus, o que nos leva ao item a seguir.
2. A incompatibilidade entre os conceitos de destino, livre arbítrio e a omnisciência de Deus.
As religiões ocidentais - islamismo, cristianismo, judaísmo - acreditam no conceito de julgamento. Quando nós morrermos, seremos julgados conforme nosso comportamento aqui na terra. Isto implica em que temos livre arbítrio, ou seja, Deus nos fez livres para tomarmos nossas próprias decisões, caso contrário, como ele poderia nos julgar? Só que isto levanta outro problema. Se Deus é omnisciente, ele sabe de tudo. Absolutamente tudo o que você já fez, está fazendo e vai fazer. De certa forma, você não tem vontade própria, já que, se Deus conhece o futuro, nada que você faça com seu "livre arbítrio" vai ter importância. O futuro está predeterminado porque Deus já o conhece. Ele criou o mundo deste jeito, já sabendo das consequências. Você não tem como surpreender a Deus fazendo diferente do que ele criou você para fazer. Para os teístas, portanto, resulta logicamente que tudo é determinado pelo "destino". A conclusão é que, se você não tem escolhas de verdade na vida, você não pode ser julgado pelo que fez.
Mais uma vez, temos que conviver com uma contradição. A omnisciência de Deus e o livre arbítrio humano são logicamente contraditórios. E, contudo, o teísta afirma que os dois são verdadeiros.
3. Deus pode mudar as leis da lógica? Deus pode fazer com que 2+2=5? Como se define a omnipotência?
Esta pergunta pode parecer tola, mas não é. 2+2 nunca poderão ser 5, a menos que você altere o sentido da palavra "cinco" para significar 4, mas, neste caso 2+2 ainda serão 4, só que você estará usando outro nome para 4. O nome que damos às coisas não modifica a realidade. Portanto, não basta dizer que Deus é omnipotente. Temos que dizer que é omnipotente mas limitado pelas leis da lógica. Portanto, a lógica é algo que Deus criou e a que agora tem que obedecer? Ou a lógica existe independentemente de Deus?
4. Por que você acha que é especial?
As pessoas em geral não percebem sua insignificância em relação ao universo. Você é apenas um entre mais de 6 bilhões de habitantes do planeta. O planeta terra é apenas um dos 9 planetas que orbitam o sol, por sua vez uma estrela de tamanho médio num dos braços da galáxia conhecida como Via Láctea. Nossa galáxia contém uns 200 bilhões de estrelas e também pulsares, buracos negros e muitos outros objetos espantosos. E o universo tem entre 100 e 200 bilhões de galáxias, com uma média de 100 bilhões de estrelas cada uma. Além disto, a cada momento novas estrelas se formam. O universo está continuamente se expandindo, desde o Big Bang.
Que importância nós temos? Por que a maioria das religiões assume que nós, neste planeta insignificante, uma espécie entre milhões, somos os escolhidos? E por que assumem que nós somos o ápice da evolução? Sim, podemos ser os organismos mais complexos neste planeta quanto ao cérebro e seu funcionamento, mas não os fisicamente mais aptos. E a evolução não parou. É um processo contínuo, embora esteja sendo influenciada pelo fato de que a humanidade tende a modificar o ambiente em vez de se adaptar a ele.
5. Deus é definido antropomorficamente.
De acordo com católicos, judeus e islâmicos, Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. O que isto realmente significa? Existe realmente um Deus lá fora que é humanóide? E por quê? De que lhe serviriam olhos, ouvidos e nariz - órgãos sensoriais - se ele já sabe tudo? Deus tem apêndice? São perguntas infantis, claro, mas há algo mais sério que isto.
Supõe-se que Deus seja totalmente bom. Supõe-se que ele seja misericordioso, compassivo. Que perdoe. Mas o deus das religiões ocidentais exige louvor e adoração. Ele castiga os que "pecam". Visto assim, Deus é realmente antropomórfico. Bondade e compaixão são características humanas. Exigir adoração e castigar também são características humanas, só que não são louváveis, então por que seriam louváveis quando se trata de um deus?
O próprio fato de que descrevemos Deus antropomorficamente sugere que nós o criamos. Ou, pelo menos, que atribuímos a ele qualidades que ele não tem e não pode ter. Por exemplo: que ele é masculino, que ele se zanga, se arrepende, se entristece ou tem ciúmes.
6. Suponhamos que Deus exista. E daí?
Mesmo que aceitemos que existe um deus, continuaremos sem saber de onde veio o universo e por que ele é assim. Dizer que "Deus o criou" é uma alegação vaga, sem justificativas.
E por que Deus o criou? Com que finalidade? Para ter alguém que o amasse e louvasse? E por que um ser infinito precisaria disto? Por que um ser completo e infinito precisaria de alguma coisa? Como definir esse deus? Como reconhecê-lo se ele se apresentar a nós? Como distinguí-lo de um extraterrestre cujos poderes estão além de nossa compreensão?
Será que ele ainda existe? Será que ainda se preocupa conosco?
Devemos assumir que tudo o que ele faz é necessariamente bom, mesmo que não possamos entender, mesmo que não nos agrade, mesmo que nos pareça injusto? Talvez ele planeje nos eliminar um dia, sem deixar vestígios, sem irmos para o céu ou para o inferno. Quem somos nós para questioná-lo? Ou lhe dizer o que é justo ou injusto?
Será que somos tão importantes aos olhos dele quanto pensamos? E se formos apenas detalhes num universo criado para abrigar uma outra raça, a verdadeira raça escolhida? E se estivermos destinados a ser escravos desta raça? Ou servir de alimento a ela?
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Email do autor: ninja@refutation.org.
Traduzido e adaptado por Fernando Silva (lochnar@ig.com.br)
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