34 Argumentos pouco convincentes a favor de Deus
por August Berkshire
Introdução:
Ateísmo - a ausência de crença em deuses - se baseia na falta de evidências de que deuses existam, falta de motivos para crer em deuses e nas dificuldades e contradições geradas pelo conceito de deus.
No entanto, o ateísmo permanece uma hipótese, sujeita a mudanças se argumentos teístas convincentes surgirem.
A seguir, apresentamos alguns dos argumentos que ateus examinaram e algumas das razões pelas quais os rejeitaram.
1) Deus-das-Lacunas (Deus sendo o "almoço gratuito")
A maioria das "provas" de que deuses existem se baseiam, pelo menos em parte, no argumento do Deus-das-lacunas. Este argumento diz que se nós não temos a resposta para alguma coisa, então "Foi Deus". "Deus" se torna a explicação padrão, mesmo sem evidências. Mas será que dizer que "Foi Deus" é realmente uma resposta?
William Dembski, defensor do "Design Inteligente", publicou um livro chamado "Não há almoço de graça". Entretanto, Deus é o "almoço de graça" básico. Consideremos isto:
-Não sabemos do que deuses são compostos.
-Não sabemos quais são os atributos dos deuses.
-Não sabemos quantos deuses existem.
-Não sabemos onde estão os deuses.
-Não sabemos de onde vêm os deuses ou, visto de outra forma, como é possível que eles sempre tenham existido.
-Não sabemos de que modo os deuses criam ou modificam as coisas.
-Não sabemos o que é o "sobrenatural" e nem de que forma ele consegue interagir com o mundo natural.
Em outras palavras, não sabemos absolutamente nada sobre deuses - e, no entanto, um monte de gente atribui um monte de coisas a um ou mais deuses.
Portanto, dizer que "foi Deus" é responder a uma pergunta com outra pergunta. Não traz nenhuma informação e apenas complica ainda mais a pergunta original.
O argumento do Deus-das-lacunas afirma que não apenas nós não temos uma resposta não sobrenatural hoje, mas que nós nunca descobriremos uma resposta não sobrenatural no futuro porque uma resposta não sobrenatural não é possível. Assim, para contestar um argumento "Deus-das-lacunas", temos apenas que mostrar que é possível imaginar uma resposta não sobrenatural.
Por exemplo: abrimos uma porta e vemos um gato dormindo num canto. Fechamos a porta, abrimos de novo 5 minutos depois e notamos que o gato agora está dormindo no outro canto. Uma pessoa diz "Deus moveu o gato sem acordá-lo" (mas não prova). Outra diz "É bem possível que o gato tenha acordado, andado até o outro canto e dormido de novo". Deste modo, embora ninguém tenha visto o que realmente aconteceu, o argumento "Deus-das-lacunas" foi descartado pela possibilidade de se explicar o fenômeno sem apelar para causas sobrenaturais.
2) Ter fé numa coisa não a torna realidade
O fato é que ninguém nem ao menos sabe se é possível existirem deuses. Só porque conseguimos imaginar alguma coisa, não significa que ela seja possível. Por exemplo, podemos nos imaginar atravessando paredes sólidas, mas isto não quer dizer que vamos conseguir. Assim, só porque conseguimos imaginar um deus, não significa que ele tenha que existir.
Como não há provas quanto à existência de nenhum deus, um crente típico tem que presumir a existência de pelo menos 9 coisas até chegar ao deus em que ele acredita. São 9 passos separados porque um passo não implica no passo seguinte.
O primeiro passo é acreditar na existência de um mundo sobrenatural.
O segundo passo, que existam seres de algum tipo nesse mundo.
O terceiro, que estes seres sejam conscientes.
O quarto, que pelo menos um destes seres seja eterno.
O quinto, que este ser seja capaz de criar alguma coisa do nada.
O sexto, que este ser seja capaz de interferir no universo depois de criá-lo (p.ex. milagres).
O sétimo, oitavo e nono, que este ser seja onisciente, onipotente e infinitamente amoroso.
Se, ainda por cima, as pessoas quiserem acreditar no deus de uma religião específica, então passos adicionais são necessários.
Desta forma, quando falamos em deuses, não temos absolutamente nenhuma idéia do que estamos falando (veja argumento inconvincente #1) e ainda temos que assumir a existência de 9 coisas diferentes para chegarmos ao deus em que a maioria das pessoas acredita.
3) Argumento dos livros sagrados:
Só porque algo está escrito, não significa que é verdade. Isto é válido para a Bíblia, para o Corão e para qualquer outro livro dito sagrado. Tentar provar a existência do deus de um livro sagrado usando o próprio livro sagrado como "evidência" é argumentação circular.
Quem acredita no livro sagrado de uma religião em geral rejeita os livros sagrados das outras religiões.
4) Argumento dos lugares históricos:
Este argumento afirma que, se personagens e lugares históricos são mencionados em lendas antigas, então tudo o mais nessas lendas, incluindo descrições de acontecimentos sobrenaturais, tem que ser verdade. Se este argumento for válido, então tudo o que está na Ilíada, incluindo as intervenções dos antigos deuses gregos, deve ser verdade.
5) Revelações dos profetas:
Todas as religiões afirmam ter sido reveladas, em geral por meio de pessoas denominadas "profetas". Mas como saber se uma "revelação" é realmente uma "mensagem de Deus" e não uma alucinação?
Uma revelação é uma experiência pessoal. Mesmo se uma revelação realmente vier de um deus, não há como provar. As pessoas de uma religião em geral não acreditam nas revelações das outras religiões. Essas revelações muitas vezes se contradizem, portanto com base em quê podemos determinar qual das revelações é a verdadeira?
6) Testemunho pessoal, "abrir o coração":
Isto acontece quando é você mesmo que recebe a revelação ou sente que um deus realmente existe. Você pode até ser sincero e pode ser até que um deus realmente exista, mas sentimentos não provam nada, nem para você e nem para os outros.
Não adianta pedir aos ateus que "abram seus corações e aceitem Jesus" (ou qualquer outro deus). Se nós abandonássemos nosso ceticismo, talvez até sentíssemos alguma inspiração, mas isto seria apenas uma experiência emocional e não teríamos como saber se um deus estaria realmente falando conosco ou se estaríamos apenas alucinando.
Muitos ateus contam histórias sobre como foi maravilhoso quando eles perderam a fé nos deuses, mas, assim como na religião, isto não prova que o ateísmo é verdade.
7) A maioria das pessoas acredita em Deus:
É verdade que, ao longo da história, a maioria das pessoas acreditou em pelo menos um deus. Entretanto, popularidade não transforma nada em verdade. Afinal, a maioria das pessoas acreditava que a Terra era o centro do universo.
O número de ateus no mundo está aumentando, atualmente. Talvez um dia a maioria das pessoas seja atéia. Por exemplo, a maioria dos cientistas nos EUA já é atéia. Entretanto, assim como no caso da religião, a popularidade crescente do ateísmo não prova que ele é verdade.
É bem possível que já haja mais ateus do que crentes na Inglaterra e na França. Será que isto quer dizer que Deus existe em toda parte exceto nestes dois países?
8) A evolução não iria favorecer uma falsa crença:
Será que a evolução favoreceria uma espécie incapaz de perceber a realidade? Ou uma espécie sujeita a alucinações? Se não, então deve haver um deus, segundo este argumento.
Entretanto, a evolução não favorece o que é verdade.
A evolução favorece o que é útil.
Ninguém discorda de que a religião e a crença em deuses foram úteis em alguns casos. "Deus", assim como Papai Noel, pode ser usado para fazer as pessoas se comportarem direito em troca de uma recompensa. "Deus" também pode ser usado para justificar atos condenáveis que beneficiam seu grupo, como os homens-bomba islâmicos e as Cruzadas. "Deus" pode diminuir seu medo da morte.
Entretanto, na era das armas nucleares, o perigo da crença em deuses supera em muito seus benefícios.
9) A parte de nosso cérebro ligada a Deus:
Alguns religiosos argumentam que deve haver um deus, caso contrário, para que teríamos uma parte de nosso cérebro que "reconhece" um deus? Que outra utilidade esta função cerebral teria?
Entretanto, a imaginação é importante para nossa sobrevivência. Podemos imaginar muitas coisas que não são verdade. É um subproduto de nossa capacidade de imaginar coisas que podem ser verdade.
Na verdade, os cientistas estão estudando, de um ponto de vista biológico, por que alguns têm crenças religiosas e outros não. Eles já identificaram substâncias em nosso cérebro que podem nos fazer ter experiências religiosas. A dopamina, por exemplo, tende a nos fazer "ver" coisas que não existem.
Um novo campo científico, a neuroteologia, estuda a religião e o cérebro e já identificou que a parte do cérebro conhecida como lobo temporal pode gerar experiências religiosas.
Outra parte do cérebro, que controla o sentimento de individualidade, pode ser conscientemente desligada durante a meditação, dando a essa pessoa (que perde a noção do limite onde ela termina e onde começa o mundo externo a ela) um sentimento de "fusão" ou "unidade" com o universo.
10) Antigos "milagres" e histórias de ressurreições:
Muitas religiões têm histórias de milagres. Assim como os que acreditam numa religião são céticos quanto aos milagres das outras, os ateus são céticos quanto a todas as histórias de milagres. Eventos extraordinários podem ser exagerados com o tempo e se tornarem lendas milagrosas. Bons mágicos fazem coisas que parecem milagres. As coisas podem ser mal avaliadas e mal interpretadas. Muitas coisas que pareciam milagres no mundo antigo, hoje são facilmente explicadas.
Quanto às ressurreições, os ateus não acham que histórias de gente que ressuscitou dos mortos sejam convincentes. Há muitas lendas assim na literatura antiga e, mais uma vez, a maioria dos religiosos rejeita as histórias de ressurreição das outras religiões.
Muitas religiões afirmam que seus deuses realizaram milagres óbvios e espetaculares há milhares de anos. Por que os milagres não mais acontecem? Os deuses ficaram tímidos? Ou foi o progresso da ciência?
11) "Milagres" modernos de cura e ressurreição
"Milagres" de cura nos dias atuais são um bom exemplo do "deus-das-lacunas". Alguém se cura de uma forma que a ciência não consegue explicar? Claro, "foi Deus". Deus nunca precisa provar nada. As pessoas sempre assumem que o mérito é dele.
O problema deste argumento é que ele parte do princípio de que sabemos tudo sobre o corpo humano e temos condição de descartar uma explicação científica. Entretanto, o fato é que nosso conhecimento médico é limitado. Por que nunca vemos um verdadeiro milagre, como braços amputados se regenerando instantaneamente?
Foram feitos estudos sobre o efeito das orações no caso de pacientes que não sabiam se alguém estava orando por eles ou não, inclusive pela clínica Mayo, e não se constatou nenhuma influência das orações sobre a cura.
E fica a pergunta: Afinal, por que temos que implorar a um deus onipotente e infinitamente amoroso que nos cure de doenças e dos efeitos de acidentes naturais que ele mesmo causou?
É o Problema do Mal: se Deus é todo-poderoso e infinitamente amoroso, por que existe o mal, para início de conversa?
No mundo de hoje, as histórias de ressurreição sempre parecem acontecer em países atrasados, em condições não controladas por cientistas. Por outro lado, por que nunca houve ressurreições de pessoas que morreram em hospitais modernos, conectadas a máquinas que indicaram quando as mortes ocorreram?
12) "Céu" (Medo da Morte):
Nem ateus nem religiosos gostam do fato de que vamos todos morrer. Entretanto, este medo não prova que há uma vida após a morte - prova apenas que nós gostaríamos que houvesse, só que desejos não se tornam automaticamente realidade.
Não há evidências de que um deus exista nem de que ele tenha criado algum lugar para irmos depois da morte. Não há nenhuma explicação sobre a natureza desse lugar, onde ele está ou como foi que um deus o criou do nada.
Não há evidências sobre almas, nada sobre a composição de uma alma e nenhuma explicação sobre como uma alma não material surgiu em um corpo material ou, alternativamente, sobre quando e como um deus faz surgir uma alma num corpo.
Se um óvulo humano fertilizado tem uma alma, o que acontece quando ele se divide para formar gêmeos? Cada um fica com meia alma? Ou havia duas almas no óvulo fertilizado original?
E quando acontece o contrário, ou seja, quando dois óvulos fertilizados se fundem em um único ser humano (uma "quimera")? Essa pessoa terá duas almas? Ou havia duas meias almas que se fundiram?
Se um bebê de uma semana morre, que tipo de pensamentos ele terá na outra vida? Os pensamentos de um bebê de uma semana? Ou os de um adulto? Se este for o caso, como será possível? De onde virão estes pensamentos adultos e quais serão?.
Não há motivos para se acreditar em que nossa consciência sobrevive à morte de nosso cérebro. A mente não é algo separado do corpo.
Por exemplo, conhecemos as substâncias químicas responsáveis pelo sentimento do amor. As drogas podem alterar nosso humor e assim mudar nossos pensamentos. Danos físicos ao nosso cérebro podem mudar nossa personalidade e nossos pensamentos. Adquirir uma nova habilidade, que envolve pensar, pode mudar fisicamente a estrutura do nosso cérebro.
Algumas pessoas ficam com a doença de Alzheimer no fim de suas vidas. O dano a seus cérebros é irreversível e pode ser detectado por tomógrafos. Essas pessoas perdem a capacidade de pensar, mas continuam vivas. Será que seu pensamento retorna logo em seguida à sua morte, na forma de uma "alma"?
Se as pessoas tivessem que escolher entre um deus e uma vida após a morte, a maioria escolheria a segunda vida e esqueceria Deus. Elas só escolhem acreditar em Deus porque é o único jeito que elas conhecem de alcançar a sobrevivência.
13) Medo do inferno:
Para os ateus, a idéia de inferno parece uma enganação - uma tentativa de levar as pessoas a acreditarem pelo medo naquilo que elas não conseguem acreditar pela razão e pelas evidências.
O único jeito de encarar isto "logicamente" é encontrar a religião que lhe pune mais duramente pela descrença e então acreditar nela.
Ótimo, você terá se livrado do pior castigo que existe - mas só se esta for a "verdadeira" religião.
Por outro lado, se ela (e sua punição) não forem verdadeiras - se a religião que ficou em segundo ou
terceiro lugar quanto à dureza da punição for a verdadeira religião - então você não se salvou de nada.
Então, qual inferno, de qual religião, é o verdadeiro? Sem evidências, jamais saberemos.
Mesmo entre cristãos há pelo menos 3 infernos diferentes. Na versão tradicional, sua "alma" queimará eternamente. Uma segunda versão diz que um deus de amor não seria tão cruel, portanto sua "alma" apenas deixará de existir.
Uma terceira versão diz que o céu não é um lugar físico, mas apenas a condição de estar para sempre separado de Deus. Acontece que os ateus já estão separados de Deus e vivem sem problemas, portanto esta ameaça não faz sentido para eles. Além disto, como é possível ficar separado de um deus que, supostamente, está em toda a parte?
14) Aposta de Pascal / Fé:
Em resumo, a aposta de Pascal diz que temos tudo a ganhar (uma eternidade no céu) e nada a perder se acreditarmos em um deus. Por outro lado, a descrença pode levar-nos a perder o céu e ir para o inferno.
Já vimos que o céu é apenas uma coisa que desejamos que exista e que o inferno é uma enganação, portanto vamos examinar a questão da fé. A aposta de Pascal assume que uma pessoa possa se forçar a acreditar em alguma coisa. Isto não funciona, pelo menos não para um ateu, portanto ateus teriam que fingir que têm fé. Só que, de acordo com a maioria das definições de Deus, ele perceberia nossa mentira interesseira. Será que ele nos recompensaria mesmo assim?
A aposta de Pascal também diz que você "não perde nada" por acreditar. Um ateu discordaria. É improvável que ele decidisse passar a aceitar as coisas sem exigir evidências. Vista desta forma, a fé já não parece tão interessante.
15) Acusar a vítima:
Muitas religiões castigam as pessoas por não acreditar. Entretanto, crença exige fé e pessoas como os ateus são incapazes de ter fé. Suas mentes requerem evidências. Assim, devemos punir os ateus por não acreditarem que "Deus" não é uma coisa evidente?
16) O fim do mundo:
Assim como no caso do inferno, esta idéia parece aos ateus servir apenas para levar as pessoas a acreditarem por medo naquilo em que elas não conseguem acreditar pela razão e pelas evidências. Ao longo dos séculos houve muitas profecias sobre o fim do mundo. Se sua fé se baseia nisto, pergunte a você mesmo: por quanto tempo você está disposto a esperar - quanto tempo será necessário para você se convencer de que o mundo não vai acabar?
17) Dificuldades da religião:
Já se argumentou que as religiões exigem tantos sacrifícios que as pessoas jamais as seguiriam se um deus não existisse. Entretanto, pelo contrário, é a crença em um deus que motiva as pessoas. Um deus não precisa existir para que isto aconteça. As dificuldades podem até servir como ritual de admissão numa seita, como um meio de se tornar um dos "escolhidos". Afinal de contas, se soubéssemos que todos seriam salvos, por que nos daríamos ao trabalho de seguir uma religião?
Além disto, a recompensa que a maioria das religiões promete em troca da obediência - um céu - compensa em muito a maioria das dificuldades impostas por elas.
18) Argumento do martírio:
Dizem os crentes que ninguém morreria por uma mentira. Eles ignoram o fato de que as pessoas podem ser enganadas (ainda que com a melhor das intenções) quanto à veracidade de uma religião.
A maioria dos grupos que incentivam o martírio promete uma grande recompensa no "céu", portanto os seguidores não acham que perder a vida seja um sacrifício tão grande.
Será que o fato de que os terroristas que jogaram os aviões no WTC estavam dispostos a morrer por sua fé faz do islamismo a verdadeira religião? E o que pensar de cultos como o Heaven's Gate, cujos seguidores cometeram suicídio em 1997 acreditando que suas "almas" iriam para uma nave espacial que acompanhava um cometa e onde Jesus os esperava?
19) Argumento do vexame:
Alguns crentes argumentam que seu livro sagrado contém passagens que são embaraçosas para sua fé, que essas passagens - e as descrições de eventos sobrenaturais - devem ser verdadeiras, caso contrário não teriam sido incluídas no livro.
Um exemplo clássico na Bíblia é o relato da covardia dos discípulos depois que Jesus foi preso. Entretanto, neste caso e em outros, momentos embaraçosos podem ser incluídos numa história de ficção para criar um clima dramático e tornar o triunfo final do herói muito maior.
20) Falsas dicotomias:
Isto acontece quando se cria uma falsa escolha entre "isto ou aquilo" embora, na verdade, haja outras possibilidades. Os cristão conhecem bem esta: "Ou Jesus estava louco ou ele era Deus. Como Jesus disse coisas sábias, então ele não estava louco, portanto ele deve ser Deus, conforme ele disse que era".
Acontece que estas não são as únicas duas opções. Há uma terceira: "sim, ele disse coisas sábias, mas, ainda assim, estava iludido quando disse que era Deus". E há uma quarta: Jesus talvez não tenha dito nada do que lhe é atribuído na Bíblia. Talvez tenham sido os escritores da Bíblia que disseram que ele disse aquelas coisas sábias. E talvez ele nunca tenha afirmado ser um deus e foram os escritores que o transformaram em deus após sua morte.
Uma quinta possibilidade é que Jesus seja inteiramente um personagem de ficção e que tudo tenha sido inventado pelos autores.
21) Sentido da vida:
Este argumento diz que, sem a crença em um deus, a vida não teria sentido. Mesmo se isto fosse verdade, apenas provaria que nós queremos que um deus exista para dar sentido às nossas vidas, e não porque realmente queremos um deus. Mas o fato de que ateus encontram sentido para suas vidas sem acreditar em deuses mostra que essa crença não é necessária.
22) Deus, assim como o amor, é inalcançável:
O amor não é inalcançável. Nós definimos "amor" tanto como um tipo de sentimento e como algo que é demonstrado através de ações.
O amor, ao contrário de Deus, é uma coisa física. Conhecemos as reações químicas no cérebro que provocam o sentimento de amor. Além disto, o amor depende da estrutura cerebral. Uma pessoa lobotomizada ou com certos tipos de danos cerebrais torna-se incapaz de sentir amor.
Além disto, se o amor não fosse físico, não ficaria confinado aos nossos cérebros físicos. Nós poderíamos ser capazes de detectar alguma entidade ou força chamada "amor" flutuando no ar.
23) Moral e ética:
É a idéia segundo a qual não temos motivos para a moralidade se não houver um deus. Entretanto, já havia códigos morais bem antes da Bíblia: o Código de Hamurabi, por exemplo.
Em "Euthyphro", um dos diálogos de Platão, Sócrates pergunta a um homem chamado Euthyphro se alguma coisa é boa apenas porque Deus diz que é ou se Deus diz que uma coisa é boa porque ela tem bondade intrínseca.
Se algo é bom porque Deus diz que é, então Deus pode mudar de idéia sobre o que é bom. A moral não seria uma coisa absoluta..
Se Deus diz que uma coisa é boa por causa da bondade intrínseca desta coisa, então nós poderíamos encontrar essa bondade intrínseca nós mesmos, sem precisar da crença em Deus.
Os cristãos nem mesmo conseguem entrar num acordo entre si quando se fala em masturbação, sexo antes do casamento, homossexualidade, divórcio, anticoncepcionais, aborto, pesquisa com células tronco, eutanásia e pena de morte. Os cristão rejeitam algumas das leis morais da Bíblia, como matar crianças desobedientes ou pessoas que trabalham no sábado. Portanto, os cristãos interpretam a Bíblia segundo seus próprios conceitos de moralidade, rejeitando os mandamentos que não consideram éticos.
A verdade é que a maioria das pessoas ignora as coisas que não são éticas em seus livros sagrados e se concentram nos bons conselhos. Em outras palavras, os teístas definem sua própria ética da mesma forma que os ateus fazem.
Até mesmo os animais respeitam uns aos outros e têm um senso de justiça. A moralidade é algo que se desenvolveu por sermos criaturas sociais. Baseia-se nas vantagens egoístas que obtemos ao cooperarmos com outros e em suas consequências.
Já encontramos a parte de nosso cérebro responsável pelos sentimentos de simpatia e empatia - os "neurônios espelhos" - que formam a base de grande parte de nossa ética.
Já que não há evidência de que algum deus exista, não temos como atribuir a moralidade a um deus. Portanto, muito mais que servir de guia moral, a religião pode ser usada para justificar qualquer atitude. Basta alegar que "Deus me disse para fazer isto". A melhor maneira de refutar este argumento é descartar totalmente o conceito de deus.
Mesmo que deuses não existam, há quem ache que a crença neles ajuda muitas pessoas a se comportarem, como se ele fosse um policial invisível. Como disse o presidente George W. Bush, "Deus está o tempo todo pesquisando nosso coração e nossa mente. Ele é assim como Papai Noel. Ele sabe se você foi bom ou se foi mau" (08/abril/2007, páscoa, Fort Hood, Texas).
Queremos realmente basear nossa ética nisto?
Um sistema decente de ética não precisa do sobrenatural para se justificar. Entretanto, a crença no sobrenatural já foi usada para justificar muitas coisas sem ética, como a Inquisição, a perseguição às bruxas, o preconceito contra os gays, o ataque ao WTC etc.
24) Argumento da bondade e da beleza:
Alguns religiosos alegam que sem um deus não haveria nem bondade nem beleza no mundo. Entretanto, bondade e beleza são definidos em termos humanos.
Se o ambiente da Terra fosse tão inóspito que a vida não pudesse se desenvolver, nós não estaríamos aqui para discutir o assunto. Portanto, há coisas no ambiente que são favoráveis à existência da vida, e nós somos naturalmente atraídos para elas. Nossa sobrevivência depende delas.
No caso da arte, nós somos naturalmente atraídos por imagens, formas e cores que nos lembram essas coisas. Entretanto, há várias formas de arte, como o cubismo e o surrealismo, que algumas pessoas apreciam e outras detestam.
25) Altruísmo:
Às vezes, as pessoas dizem que, sem um deus, não haveria altruísmo e que a evolução só favorece o comportamento egoísta.
Entretanto, podemos dizer que não existe altruísmo e que as pessoas sempre fazem o que elas querem. Se só houver escolhas ruins, elas escolhem aquela que elas detestam menos.
Nossas escolhas se baseiam naquilo que nos dá (aos nossos genes) a melhor chance de sobreviver, o que inclui melhorar nossa reputação na sociedade.
"Altruísmo" para com membros da família beneficia gente que compartilha nossos genes. "Altruísmo" para com amigos beneficia gente que um dia poderá retribuir o favor.
Até mesmo o "altruísmo" para com estranhos tem a ver com a evolução. É um comportamento que surgiu primeiro em tribos pequenas, onde todos se conheciam e uma boa reputação aumentava as chances de sobrevivência do indivíduo. Agora já está entranhado em nosso cérebro como um modo geral de conduta.
26) Livre arbítrio:
Dizem que não teríamos livre arbítrio sem Deus, que viveríamos num universo determinístico de causa e efeito e que seríamos meros robôs.
Na verdade, temos muito menos livre arbítrio do que a maioria das pessoas pensa. Nosso condicionamento (nosso desejo biológico de sobreviver e prosperar, combinado com nossas experiências) torna certas "escolhas" muito mais prováveis do que outras. De que outro modo podemos explicar nossa capacidade, em muitos casos, de prever o comportamento das pessoas?
Experiências já mostraram que nosso cérebro "decide" agir antes que nós tenhamos consciência disto! Alguns até dizem que nosso único livre arbítrio é a capacidade de vetar conscientemente as ações que nosso cérebro sugere.
A maioria dos ateus não tem nenhum problema em admitir que o livre arbítrio pode ser uma ilusão.
Este assunto também leva a um paradoxo: se o deus que nos criou conhece o futuro, como nós podemos ter livre arbítrio?
No fim das contas, se nós gostamos da nossa vida, o que importa se temos ou não livre arbítrio? Será que não é apenas nosso ego - nossa saudável autoestima que contribui para a sobrevivência - que foi condicionado a acreditar em que um livre arbítrio verdadeiro é melhor que um livre arbítrio imaginário?
27) Um ser perfeito tem necessariamente que existir:
Este argumento, conhecido como o argumento ontológico, foi criado há uns 1000 anos por Anselmo.
Ele nos pede que imaginemos o mais grandioso ou mais perfeito ser possível. Esta é a concepção de Deus para a maioria das pessoas. Em seguida, ele nos diz que é mais grandioso ou mais perfeito para algo existir do que não existir. Portanto, este ser (Deus) necessariamente tem que existir.
Mas este argumento não leva em conta se é possível que um ser perfeito exista. Ele também parte do princípio de que aquilo que imaginamos passa a existir. Nem tudo o que conseguimos imaginar é possível.
Vamos aplicar esta lógica a um assunto diferente. Imagine um perfeito arranha-céu. Ele permaneceria intacto se terroristas jogassem aviões contra ele. Entretanto, nenhum arranha-céu pode resistir a um ataque desses sem, pelo menos, algum dano. Mas isto contraria nossa premissa de que o arranha-céu tem que ser perfeito, portanto é preciso que exista um arranha-céu indestrutível.
28) Por que é mais provável que Algo exista do que Nada?
Este argumento assume que, sem um deus, não esperaríamos que alguma coisa existisse. Entretanto, não temos a mínima idéia da probabilidade estatística de Algo existir versus Nada.
Em física, sistemas simétricos tendem a ser instáveis. Eles tendem a degenerar em sistemas assimétricos. Ora, o Nada - a ausência de tudo - é perfeitamente simétrico, portanto altamente instável. Portanto Algo é mais estável que Nada, portanto deve ser mais provável que Algo exista que Nada.
Podemos também perguntar, dentro da mesma lógica: "Por que é mais provável que exista um deus do que ele não exista?". Ou ainda "Quem criou esse deus?"
29) Argumento da Primeira Causa:
Este argumento afirma que vivemos num universo de causa e efeito. Segundo esta lógica, é impossível que esta sequência de causas continue infinitamente para trás. Em algum ponto, a coisa tem que parar. Nesse ponto, é preciso haver uma Primeira Causa que não resulte, ela própria, de nenhuma outra causa.
Esta Primeira Causa Não Causada, segundo dizem, é Deus.
O universo em que vivemos agora "começou" há uns 13,7 bilhões de anos. Não sabemos se o universo já existia antes de alguma outra forma nem se havia energia/matéria/gravidade/etc. (um mundo natural).
Nao sabemos se o mundo natural teve um começo ou se sempre existiu de algum jeito.
Se teve um começo, não sabemos se um deus é a única origem possível.
Não sabemos se um deus pode ser uma causa incausada. O que causou Deus?
Partículas virtuais aparecem e desaparecem subitamente o tempo todo. A física quântica mostra que pode haver eventos não causados.
30) As "leis" do universo:
De onde vieram as "leis" do universo? Uma "lei" da física não passa de uma coisa que acontece de forma regular. É a descrição de um fenômeno. Não é algo decretado por um tribunal celeste.
De acordo com o físico, astrônomo e professor Victor Stenger: "É crença geral que as 'Leis da Física' são exteriores à Física. Elas são concebidas como sendo impostas ao universo de fora para dentro ou fazendo parte de sua estrutura lógica. As descobertas recentes da física contestam isto. As "leis" básicas da física são construções matemáticas que tentam descrever a realidade de forma objetiva. As leis da física são exatamente como seria de se esperar se viessem do nada" (ênfase incluída).
31) As coisas são exatamente do jeito que deveriam ser:
Alguns crentes argumentam que é preciso que os valores das 6 constantes físicas do universo (que controlam coisas como a força da gravidade) estejam dentro de uma faixa limitada para que a vida seja possível. Portanto, como isto não pode ter acontecido "por acidente", deve ser obra de um deus.
Mais uma vez, este é um argumento do tipo "Deus das lacunas". Além disto, ele pressupõe que conhecemos tudo a respeito de astrofísica - um campo em que novas descobertas são feitas quase todos os dias. Talvez venhamos a descobrir que nosso universo não seja tão "ajustado", afinal de contas.
Outra possibilidade é que existam múltiplos universos - separadamente ou como "bolhas" dentro de um universo maior. Cada um desses universos poderia ter suas próprias leis da física. Se houver um número suficientemente grande de universos, aumentam as chances de que pelo menos um deles venha a produzir vida.
Sabemos que é possível que pelo menos um universo exista - nós vivemos nele. Se existe um, por que não vários? Por outro lado, não temos evidências quanto à existência de nenhum deus.
Pois então vamos dar uma olhada na definição mais comum de um deus: eterno, onisciente, onipotente e infinitamente amoroso. Poderia Deus ser de algum outro modo que não fosse exatamente este que ele é?
Embora haja alguma margem de tolerância nas condições que permitem existir vida no universo, tradicionalmente as condições para a existência de Deus não variam. Portanto, nosso universo com um deus tradicional é logicamente mais implausível que nosso universo sem um deus.
Claro que ainda podemos perguntar: quem ou o que definiu Deus?
Se o universo foi criado especificamente com o objetivo de abrigar a raça humana, então o enorme tamanho do universo (a maior parte dele hostil à vida) e os bilhões de anos que se passaram até que os humanos surgissem, então ele é ridículo e é um enorme desperdício - não o que se poderia esperar de um deus.
32) A Terra é exatamente do jeito que deveria ser:
Alguns crentes argumentam que a Terra está justamente no ponto do sistema solar (nem muito quente nem muito frio etc.) que permite que a vida exista. Além disto, ela tem exatamente os elementos necessários (carbono, oxigênio etc.). Essas pessoas afirmam que isto não poderia ter acontecido "por acidente", portanto deve haver um deus que cuidou desses detalhes.
Este é mais um argumento "Deus das lacunas". Mas há uma refutação ainda melhor. Se a Terra fosse o único planeta no universo, então seria notável que suas condições fossem "exatamente as necessárias". Entretanto, a maioria dos religiosos admite que há milhares, se não milhões, de outros planetas no universo. O nosso sistema solar tem oito. Portanto, aumentam muito as chances de que pelo menos um deles tenha as condições para produzir algum tipo de vida.
Podemos imaginar criaturas púrpuras com 4 olhos e respirando dióxido de carbono em outro planeta, muito religiosas, que também cometam o erro de achar que o planeta deles foi especialmente criado para que eles e que há um deus criador à sua semelhança.
33) Criacionismo / Design inteligente:
É a idéia segundo a qual se não podemos explicar alguma coisa sobre a vida, então "foi Deus" (Deus das lacunas).
Entretanto, se o Gênesis ou qualquer mito da criação religioso similar for verdade, então praticamente todos os campos da ciência estarão errados. Não apenas a biologia como também a química, física, arqueologia, astronomia e ainda suas subdisciplinas como embriologia e genética. Na verdade, poderíamos jogar fora todo o método científico.
Os criacionistas às vezes fazem uma distinção entre "micro" e "macro" evolução - ou seja, eles aceitam que há mudanças dentro de uma espécie, mas não aceitam que uma espécie se transforme em outra.
Mas quais são os mecanismos da microevolução?
Eles são: mutação, seleção natural e herança.
E quais são os mecanismos da macroevolução? Exatamente os mesmos: mutação, seleção natural e herança. A única diferença é o tempo necessário. Será que alguns genes dizem a si mesmos: "Hmmm, é melhor eu não mudar muito, senão alguns religiosos vão ficar aborrecidos"?
A evolução é a melhor explicação e a única explicação para a qual há evidências: para a idade dos fósseis, para a progressão dos fósseis, para as semelhanças genéticas, para as semelhanças estruturais e para os fósseis transicionais. Sim, há fósseis transicionais. Por exemplo, nós temos uma boa trilha fóssil para espécies indo desde os mamíferos terrestres até a baleia, incluindo o basilosaurus, uma baleia primitiva que conservou pequenas pernas traseiras que não tinham função. Ainda hoje, as baleias mantêm os ossos do quadril.
Alguns criacionistas afirmam que essas pernas traseiras atrofiadas talvez fossem úteis para o acasalamento, portanto o basilosaurus seria uma espécie criada totalmente em separado, e não uma transição. Mas, se essas pernas traseiras eram tão úteis, por desapareceram?
Na verdade, as cobras também tem ossos do quadril e às vezes nascem cobras com pernas vestigiais, provando que elas evoluíram de ancestrais répteis que tinham pernas traseiras. Na China, foram encontrados muitos fósseis meio répteis/meio pássaros, provando a transição.
Recentemente se descobriu o fóssil do tiktaalik, que ajudou a preencher uma lacuna entre os peixes e os anfíbios. Foi encontrado no Canadá, exatamente no local e na camada geológica previstos pela evolução.
Por outro lado, se um deus perfeito tivesse criado a vida, nós esperaríamos dele um serviço melhor. Não esperaríamos que 99% de todas as espécies que já existiram se extinguissem. Como disse o biólogo evolucionista Kenneth R. Miller, que é cristão: "se Deus propositalmente projetou 30 espécies de cavalos que mais tarde desapareceram, então Deus é, antes de mais nada, um incompetente. Ele não consegue fazer direito da primeira vez" ("Educators debate 'intelligent design' ", por Richard N. Ostling, Star Tribune - 23/março/2002, p.B9).
Francis Collins, diretor do Projeto Genoma Humano, evangélico, disse: "O Design Inteligente apresenta o Todo Poderoso como um criador trapalhão, que tem que intervir de tempos em tempos para consertar os problemas de seu plano inicial para criar a complexidade da vida" ("A linguagem de Deus", pág. 193-194).
Não deveríamos esperar defeitos de nascença se a vida foi criada por um deus perfeito.
Não deveríamos esperar um "design burro" tal como uma próstata que incha e estrangula o canal urinário, já que teria sido tão simples passar o canal por fora da próstata. Deus é um designer incompetente ou relaxado?
Se Deus criou toda a vida ao longo de uma semana, então, mesmo com um suposto dilúvio universal, deveríamos encontrar os fósseis totalmente misturados nas camadas geológicas. Não é o que acontece.
Também temos a contradição de que Deus é a favor da vida, mas permite o aborto espontâneo. De um terço a metade dos óvulos fecundados sofre aborto espontâneo, muitas vezes antes mesmo de a mulher perceber que está grávida. Se um deus projetou o sistema reprodutivo humano, isto faz dele o maior dos abortistas.
Podemos então concluir que a evolução científica nos fornece respostas, enquanto que o criacionismo religioso e o "design inteligente" só geram mais perguntas.
34) O universo e/ou a vida violam a segunda lei da termodinâmica (entropia):
A segunda lei da termodinâmica (entropia) afirma que, num sistema fechado, as coisas tendem para uma desordem cada vez maior. Alguns crentes argumentam que, já que o universo e a vida são tão organizados, um deus tem que existir para poder violar esta lei.
Entretanto, o universo não viola a segunda lei da termodinâmica. O universo teve início com o máximo grau de desordem possível para seu tamanho. A partir daí, com sua expansão, mais desordem se tornou possível e, de fato, é o que está ocorrendo.
Apesar do fato de que a desordem como um todo está aumentando no sistema chamado universo, é possível um aumento de ordem em subsistemas, tais como galáxias, sistemas solares e é possível a vida - desde que, na totalidade do universo, a desordem esteja aumentando.
Se um deus criou o universo, deveríamos esperar um início ordenado, não caótico. O fato de que o universo começou com o máximo de desordem significa que não foi um deus que o criou, já que uma criação proposital teria pelo menos alguma ordem.
Também se verifica que a energia gravitacional do universo, negativa, cancela exatamente a energia positiva representada pela massa, de forma que o total da energia no universo é zero, que é o que seria de se esperar de um universo que veio do Nada por meios naturais. Entretanto, se um deus estivesse envolvido, seria de se esperar que ele tivesse adicionado energia ao universo. Não há evidência disto.
É interessante como os teístas se agarram à segunda lei da termodinâmica em seus esforços para provar a existência de seu deus, mas ignoram totalmente a primeira lei - que diz que a matéria/energia não pode ser nem criada nem destruída - o que refutaria totalmente a existência do deus deles como um ser que pode criar algo do nada.
Conclusão:
Pessoas religiosas têm o difícil, senão impossível, encargo de provar que algum deus existe, sem falar que é a religião deles, entre todas, que é a verdadeira. Se alguma das religiões tivesse evidências objetivas, será que as pessoas não viriam todas aderir a ela, a "verdadeira" religião?
Em vez disto, o que vemos é que as pessoas tendem a acreditar, em graus diferentes, na religião que lhes foi transmitida. Ou então são atéias.
© 2006, 2007 August Berkshire. Nov. 21, 2007
Comentários são benvindos.
Email: augustberkshire [at] gmail.com
domingo, 30 de setembro de 2012
sexta-feira, 22 de julho de 2011
As profecias estão se cumprindo e o mundo está piorando?
Este texto foi publicado por um grupo de ex-Testemunhas de Jeová:
http://www.geocities.com/v.ventana/profeciascomparadasfatos.htm
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As Profecias para os Últimos Dias Comparadas Com os Fatos Atuais Demonstram seu Cumprimento?
1. Terremotos num lugar após outro.
Como já foi demonstrado, o fato é que os terremotos já foram mais numerosos e muito mais intensos que qualquer um já registrado na atualidade, assim como proporcionalmente muito mais devastadores de populações humanas.
2. Pais contra filhos ou filhos contra pais.
O número de jovens que entram em conflito com seus pais tem diminuído e não aumentado. Os pais têm diminuído sua rigidez o que tem aproximado filhos e pais. O estatuto da criança e do adolescente é fruto dessa mudança de visão. Hoje existe muita orientação disponível de como os pais devem lidar com seus filhos. A delinqüência juvenil não está ligada a conflitos de gerações, até mesmo jovens infratores amam seus pais. Casos de filhos que se voltam contra seus pais são tão raros quanto escandalosos, e pasmam a sociedade quando acontecem justamente por não ser uma coisa comum.
3. O amor da maioria se esfriará.
Se hoje a indiferença e a banalização para com as mazelas da vida ainda é um problema, saiba perceber que na antiguidade esse problema era bem pior. Atualmente vários testes em ruas movimentadas, feitos pra medir a solidariedade das pessoas, surpreenderam pelo número de pessoas tentando ajudar alguém que se desfalecera na rua. O crescimento do número de programas sociais e assistenciais só está aumentando e de modo proporcional. Cada vez mais governos, empresas e pessoas se envolvem ou se dedicam em criar, participar, colaborar e/ou apoiar o crescente número de programas sociais e assistenciais. Há pouco tempo, o Nobel da Paz foi para o economista Muhammad Yunus, que criou o Banco dos Pobres, uma alternativa para ajudar pessoas a sair da miséria, ainda nos anos 70.
4. Guerras num lugar após outro.
O número de guerras e batalhas na antiguidade era quase tão grande quanto o número de povoados existentes na época. Até tribos de índios guerreavam entre si. Não era incomum uma tribo dizimar outra simplesmente por disputa de território. A arqueologia está carregada desses registros. A própria bíblia está repleta desse tipo de guerrilha. Hoje, até mesmo as disputas entre gangues dificilmente resultam em mortes. Atualmente as guerras declaradas, embora sejam intensas, são poucas e localizadas, afetando o mundo de maneira pouco relevante.
5. Pestilência num lugar após outro.
Como já foi visto nessa cartilha, o número de epidemias paralelas diminuiu em mais de 80% num período de aproximadamente 100 anos, o que resultou na extinção de todas as casas de isolamento usadas para conter algumas epidemias, que hoje são controladas com uso de vacinas, remédios, programas educativos, ou algum novo método criado com a moderna engenharia genética. Novas endemias causam poucas mortes e muito poucos danos, além de serem rapidamente controladas, pois a ciência logo cria vacinas e remédios pra elas. Até mesmo gripes chegaram a matar milhões de pessoas nos tempos antigos, sendo que hoje essa se trata de uma doença banal para a qual se encontram remédios eficazes em qualquer esquina.
6. Pregação do evangelho no mundo inteiro. Saiba que a palavra “evangelho” significa “boas notícias”.
Antes de se analisar o cumprimento desta profecia, é interessante refletir se a notícia de que 99% da humanidade será exterminada por Jeová é mesmo uma boa notícia. O próprio evangelho afirma que apenas uma pequena minoria será salva. Como que a pré-determinada condenação da grande maioria pode ser uma boa notícia para o mundo? E isso de que seria pregado em toda Terra habitada já vem sendo há muitos séculos, incluindo os anos sombrios do Império Romano clerical que dizimava os povos que não aceitavam o seu conceito religioso. É claro que há maneiras diferentes de se interpretar isso tanto quanto há diferentes igrejas. Segundo as TJ, nenhum dos que não quiserem ser TJs terão o favor de Deus no armagedom, por isso, levando-se em conta o número de TJs no mundo, menos de 1% sobreviveria à destruição.
7. Arruínam a Terra.
Talvez esse seja o único sinal que se cumpriu, se observarmos pelo ponto de vista do meio ambiente. Mas não devemos esquecer que, o que se predisse como marca para sinalizar os últimos dias seria o cumprimento de um conjunto de sinais. O cumprimento de apenas um, só prova que não estamos nos últimos dias. E ainda por conseqüência do aquecimento global, parece estar havendo um crescente espírito de união no mundo o que também se contrapõe a outros sinais do suposto tempo do fim.
8. Aumento do que é contra a lei.
Antigamente não existiam estatísticas pra se fazer uma comparação precisa, mas é sabido que a criminalidade hoje é menor do que no passado em quase todos os lugares do mundo. A diminuição progressiva da criminalidade, embora seja oscilante, hoje já é uma tendência bem estabelecida no mundo.
9. Escassez de víveres (alimentos)
Os alimentos atingem recordes de produção e são muito mais bem distribuídos como nunca ocorreu na história humana. A fome foi reduzida no mundo de 75% para 13%. Infelizmente a África ainda tem tido um grande índice de fome, uma calamidade que chama a atenção do mundo inteiro e mobiliza a comunidade internacional e instituições de ajuda humanitária, criando vários programas de ajuda internacional, o que é outro fato que contesta a parte das profecias que afirma que “o amor da maioria se esfriaria”. (www.un.org)
10. Nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, so-berbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder.
A solidariedade tem aumentado no mundo; os homens mais ricos do mundo são os que pagam os melhores salários e os que mais investem em obras de caridade e assistenciais (há quem não goste, mas Bill Gates é um dos melhores exemplos). Também, antigamente quando alguém caia na rua, absolutamente ninguém ajudava, as pessoas corriam pra longe achando que se tratava de alguma peste. Não há estatística que analisem o nível de quem são os “pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho”, isso vai do julgamento que fazemos das pessoas, sendo assim, é mais provável que antigamente isso fosse pior, pois hoje existe muita orientação disponível sobre relações e tratar com as pessoas. Mas uma coisa sobre isso é verdade, as igrejas estão abarrotadas de pessoas dessa estirpe, inclusive Testemunha de Jeová. Sobre as pessoas serem “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus” é bom lembra que antigamente as pessoas não se divertiam porque elas eram praticamente proibidas disso. E sobre pessoas “tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder”? Ora, não era isso o que se podia dizer de Fariseus, Escribas, Nobres, Reis, Papas, Bispos, Padres e outros clérigos da antiguidade? Políticos religiosos hoje são poucos. Mas não há uma estatística pra se comparar se houve crescimento da hipocrisia nas pessoas em geral, sejam elas do poder ou não. O que se sabe é que antigamente só os poderosos podiam escolher ser hipócritas, mas o restante da população simplesmente não tinha escolha. E é bom lembrar que, no passado, Tira-Dentes foi traído e enforcado, já hoje nós temos um ex-operário e sindicalista na presidência do Brasil.
A animadora verdade é que a vida tem ficado cada vez mais fácil e a qualidade de vida tem melhorado tanto que até algumas coisas inusitadas tem acontecido, um bom exemplo é o que o Papa Bento XVI disse em uma de suas infelizes declarações, afirmou que o crescente bem estar tem deixado as pessoas menos amorosas e mais insensíveis, o que realmente vemos que não é verdade quando observamos os crescentes programas sociais sustentados pela sociedade e por vários empresários tanto por grandes quanto por pequenos, mesmo nesse mundo tão capitalista. A subnutrição, que era um problema comum na antiguidade, hoje atinge a poucos, problema esse quase sendo substituído pela obesidade que ocorre até entre os pobres, por tão disponíveis que se tornaram os alimentos.
Mas não há problemas no mundo? Claro que há, sem dúvida. Entretanto, certamente que só os loucos escolheriam viver num mundo como era há mais de 150 anos atrás. Aqueles sim eram tempos críticos e difíceis agravados com a desorientação e desinformação geral, no entanto a humanidade sobreviveu a eles. Os problemas que temos agora são bem menores e apenas novos, nós só temos que aprender a lidar com eles, o que não chega a representar um grande desafio devido ao alto nível de conhecimento difundido. Estamos presenciando hoje um grande momento da história humana para se viver, onde a ciência, que não mais está amarrada nem amordaçada pela religião, encontra rapidamente eficazes soluções para quase todos os problemas que surgem. Já passou da hora para humanidade se libertar desse legado medieval amaldiçoado de trevas religiosas.
Que a religião ainda é um grande mal hoje, isso é verdade, diga-se de passagem, um mal já bem desnecessário. Mas com a crescente globalização, em quase todo o mundo ninguém mais é punido por diferença religiosa, e esse perímetro está se ampliando. Nada é perfeito, é claro, mas mesmo aos trancos e barrancos a humanidade irá evoluir pra melhor a cada dia. Não haverá nenhum armagedom divino, o nosso futuro só depende de nós mesmos. A humanidade não precisa de religião, precisa de ética.
O grande problema de ter pessoas na sociedade ansiosas pelo fim do mundo, é que tudo que nós precisamos, tudo o que a sociedade precisa, é de pessoas dispostas a ajudar a transformar esse mundo em um lugar melhor pra se viver e não de pessoas que torcem pra que ele acabe. Essa linha de pensamento apocalíptico só traz prejuízos para todos, pois a pessoa que pensa assim passa a ter uma atitude de “o quanto pior melhor”. Isso é ruim pra sociedade, pro meio ambiente e pra própria pessoa. Por achar que o fim está próximo a pessoa não se interessará em participar ou ajudar programas sociais e assistenciais, não se preocupará em preservar o meio ambiente, não se interessará pela política que é algo que afeta intensamente a todos nós, e não se preocupará nem com ela mesma, quanto ao seu futuro profissional, intelectual e social, pois ela acredita que tudo isso acabará em breve e por isso não vale a pena. Entre os jovens que acreditam na idéia de que um armagedom virá em breve, não são raros os que passam a se desinteressar pelos estudos seculares, ou mesmo desistir da escola. Quem sustenta a política do “quanto pior melhor”, está na contramão do progresso da humanidade e trabalha não só contra a sociedade, mas contra si próprio. Estas pessoas estão entre as que só atrapalham a melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mundial e que, mesmo assim, tem melhorado a cada ano.
Hoje, para todos os problemas encontra-se uma solução. A pesar da imprensa estar garimpando as notícias chocantes e "ruins", e mesmo neste país ainda recordista em injustiças, pode-se ver muitas coisas mostrando como o mundo tem melhorado. E lembre-se que a morte não é um problema, é simplesmente o fim, o qual, alguns costumam dizer com bom humor que é a solução definitiva para todos os problemas. Veja o quanto isso é evidente:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM782110-7823-MOSQUITO+PROGRAMADO+PARA+MORRER,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM775611-7823-PEDREIRO+CRIA+BIBLIOTECA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM772898-7823-DOACAO+DE+ORGAOS+AINDA+E+PROBLEMA+NO+BRASIL,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM773837-7823-HABITOS+SAUDAVEIS+GARANTEM+LONGEVIDADE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM770929-7823-INVESTIMENTO+EM+USINAS+NUCLEARES+CAUSA+PROTESTOS+NA+FRANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM769510-7823-VEM+AI+O+CARRO+INTELIGENTE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM766542-7823-CENTRAL+DA+PERIFERIA+A+FAVELA+ONDE+POLICIAIS+E+MORADORES+VIVEM+EM+HARMONIA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM761777-7823-TECONOLGIA+PODE+SALVAR+BEBES+RECEMNASCIDOS,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM761364-7823-POR+TELEFONE+SOLDADO+SALVA+A+VIDA+DE+UMA+CRIANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM758574-7823-CIENTISTAS+CRIAM+CELULASTRONCO+A+PARTIR+DE+PELE+HUMANA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM713212-7823-CIENCIA+DA+UMA+MAOZINHA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM755200-7823-DEFICIENCIA+VITAMINICA+ATINGE+DOIS+BILHOES,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM755209-7823-AS+HERANCAS+DA+PROCLAMACAO+DA+REPUBLICA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM745872-7823-BEBE+ROUBADO+NA+MATERNIDADE+VOLTA+PARA+OS+BRACOS+DA+MAE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM742224-7823-OS+AVANCOS+DA+CIENCIA+NO+COMBATE+A+DENGUE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM732902-7823-CADA+VEZ+MAIS+BRASILEIROS+SUPERAM+A+LINHA+DA+MISERIA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM732729-7823-MORADORES+DE+FORTALEZA+TROCAM+LIXO+RECICLAVEL+POR+ENERGIA+ELETRICA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM727779-7823-BRASIL+ANTECIPA+METAS+PARA+REDUZIR+A+POBREZA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM728218-7823-EXPOSICAO+FESTEJA+O+CINQUENTENARIO+DA+RBS,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM729735-7823-HOSPITAL+DE+BARRETOS+VIRA+REFERENCIA+NACIONAL,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM711984-7823-PROGRAMA+DE+DESBUROCRATIZACAO+E+SUCESSO+EM+PORTUGAL,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM713059-7823-PARA+ECONOMISTAS+BRASIL+PODE+ENFRENTAR+CRISES+EXTERNAS,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM713065-7823-TUDO+PRONTO+PARA+A+FESTA+DO+CRIANCA+ESPERANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM685286-7823-OS+BENEFICIOS+DA+RECICLAGEM,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM119860-7823-EMPREGO+NO+BRASIL+SOBRA+TRABALHO+NAS+CIDADES+DO+INTERIOR,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM650590-7823-AQUECIMENTO+GLOBAL+JA+E+ASSUNTO+DE+CRIANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM656819-7823-RECICLAGEM,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM677433-7823-ATE+CACIQUE+E+PRESO+EM+OPERACAO+DA+PF,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM184093-7823-POLICIA+FEDERAL+USA+TECNOLOGIA+DE+ITAIPU+PARA+COMBATER+O+CRIME,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM663187-7823-ASSASSINATO+COMBINADO+PELA+INTERNET+E+EVITADO+PELA+POLICIA,00.html
http://www.geocities.com/v.ventana/profeciascomparadasfatos.htm
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As Profecias para os Últimos Dias Comparadas Com os Fatos Atuais Demonstram seu Cumprimento?
1. Terremotos num lugar após outro.
Como já foi demonstrado, o fato é que os terremotos já foram mais numerosos e muito mais intensos que qualquer um já registrado na atualidade, assim como proporcionalmente muito mais devastadores de populações humanas.
2. Pais contra filhos ou filhos contra pais.
O número de jovens que entram em conflito com seus pais tem diminuído e não aumentado. Os pais têm diminuído sua rigidez o que tem aproximado filhos e pais. O estatuto da criança e do adolescente é fruto dessa mudança de visão. Hoje existe muita orientação disponível de como os pais devem lidar com seus filhos. A delinqüência juvenil não está ligada a conflitos de gerações, até mesmo jovens infratores amam seus pais. Casos de filhos que se voltam contra seus pais são tão raros quanto escandalosos, e pasmam a sociedade quando acontecem justamente por não ser uma coisa comum.
3. O amor da maioria se esfriará.
Se hoje a indiferença e a banalização para com as mazelas da vida ainda é um problema, saiba perceber que na antiguidade esse problema era bem pior. Atualmente vários testes em ruas movimentadas, feitos pra medir a solidariedade das pessoas, surpreenderam pelo número de pessoas tentando ajudar alguém que se desfalecera na rua. O crescimento do número de programas sociais e assistenciais só está aumentando e de modo proporcional. Cada vez mais governos, empresas e pessoas se envolvem ou se dedicam em criar, participar, colaborar e/ou apoiar o crescente número de programas sociais e assistenciais. Há pouco tempo, o Nobel da Paz foi para o economista Muhammad Yunus, que criou o Banco dos Pobres, uma alternativa para ajudar pessoas a sair da miséria, ainda nos anos 70.
4. Guerras num lugar após outro.
O número de guerras e batalhas na antiguidade era quase tão grande quanto o número de povoados existentes na época. Até tribos de índios guerreavam entre si. Não era incomum uma tribo dizimar outra simplesmente por disputa de território. A arqueologia está carregada desses registros. A própria bíblia está repleta desse tipo de guerrilha. Hoje, até mesmo as disputas entre gangues dificilmente resultam em mortes. Atualmente as guerras declaradas, embora sejam intensas, são poucas e localizadas, afetando o mundo de maneira pouco relevante.
5. Pestilência num lugar após outro.
Como já foi visto nessa cartilha, o número de epidemias paralelas diminuiu em mais de 80% num período de aproximadamente 100 anos, o que resultou na extinção de todas as casas de isolamento usadas para conter algumas epidemias, que hoje são controladas com uso de vacinas, remédios, programas educativos, ou algum novo método criado com a moderna engenharia genética. Novas endemias causam poucas mortes e muito poucos danos, além de serem rapidamente controladas, pois a ciência logo cria vacinas e remédios pra elas. Até mesmo gripes chegaram a matar milhões de pessoas nos tempos antigos, sendo que hoje essa se trata de uma doença banal para a qual se encontram remédios eficazes em qualquer esquina.
6. Pregação do evangelho no mundo inteiro. Saiba que a palavra “evangelho” significa “boas notícias”.
Antes de se analisar o cumprimento desta profecia, é interessante refletir se a notícia de que 99% da humanidade será exterminada por Jeová é mesmo uma boa notícia. O próprio evangelho afirma que apenas uma pequena minoria será salva. Como que a pré-determinada condenação da grande maioria pode ser uma boa notícia para o mundo? E isso de que seria pregado em toda Terra habitada já vem sendo há muitos séculos, incluindo os anos sombrios do Império Romano clerical que dizimava os povos que não aceitavam o seu conceito religioso. É claro que há maneiras diferentes de se interpretar isso tanto quanto há diferentes igrejas. Segundo as TJ, nenhum dos que não quiserem ser TJs terão o favor de Deus no armagedom, por isso, levando-se em conta o número de TJs no mundo, menos de 1% sobreviveria à destruição.
7. Arruínam a Terra.
Talvez esse seja o único sinal que se cumpriu, se observarmos pelo ponto de vista do meio ambiente. Mas não devemos esquecer que, o que se predisse como marca para sinalizar os últimos dias seria o cumprimento de um conjunto de sinais. O cumprimento de apenas um, só prova que não estamos nos últimos dias. E ainda por conseqüência do aquecimento global, parece estar havendo um crescente espírito de união no mundo o que também se contrapõe a outros sinais do suposto tempo do fim.
8. Aumento do que é contra a lei.
Antigamente não existiam estatísticas pra se fazer uma comparação precisa, mas é sabido que a criminalidade hoje é menor do que no passado em quase todos os lugares do mundo. A diminuição progressiva da criminalidade, embora seja oscilante, hoje já é uma tendência bem estabelecida no mundo.
9. Escassez de víveres (alimentos)
Os alimentos atingem recordes de produção e são muito mais bem distribuídos como nunca ocorreu na história humana. A fome foi reduzida no mundo de 75% para 13%. Infelizmente a África ainda tem tido um grande índice de fome, uma calamidade que chama a atenção do mundo inteiro e mobiliza a comunidade internacional e instituições de ajuda humanitária, criando vários programas de ajuda internacional, o que é outro fato que contesta a parte das profecias que afirma que “o amor da maioria se esfriaria”. (www.un.org)
10. Nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, so-berbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho, mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder.
A solidariedade tem aumentado no mundo; os homens mais ricos do mundo são os que pagam os melhores salários e os que mais investem em obras de caridade e assistenciais (há quem não goste, mas Bill Gates é um dos melhores exemplos). Também, antigamente quando alguém caia na rua, absolutamente ninguém ajudava, as pessoas corriam pra longe achando que se tratava de alguma peste. Não há estatística que analisem o nível de quem são os “pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados de orgulho”, isso vai do julgamento que fazemos das pessoas, sendo assim, é mais provável que antigamente isso fosse pior, pois hoje existe muita orientação disponível sobre relações e tratar com as pessoas. Mas uma coisa sobre isso é verdade, as igrejas estão abarrotadas de pessoas dessa estirpe, inclusive Testemunha de Jeová. Sobre as pessoas serem “mais amantes de prazeres do que amantes de Deus” é bom lembra que antigamente as pessoas não se divertiam porque elas eram praticamente proibidas disso. E sobre pessoas “tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder”? Ora, não era isso o que se podia dizer de Fariseus, Escribas, Nobres, Reis, Papas, Bispos, Padres e outros clérigos da antiguidade? Políticos religiosos hoje são poucos. Mas não há uma estatística pra se comparar se houve crescimento da hipocrisia nas pessoas em geral, sejam elas do poder ou não. O que se sabe é que antigamente só os poderosos podiam escolher ser hipócritas, mas o restante da população simplesmente não tinha escolha. E é bom lembrar que, no passado, Tira-Dentes foi traído e enforcado, já hoje nós temos um ex-operário e sindicalista na presidência do Brasil.
A animadora verdade é que a vida tem ficado cada vez mais fácil e a qualidade de vida tem melhorado tanto que até algumas coisas inusitadas tem acontecido, um bom exemplo é o que o Papa Bento XVI disse em uma de suas infelizes declarações, afirmou que o crescente bem estar tem deixado as pessoas menos amorosas e mais insensíveis, o que realmente vemos que não é verdade quando observamos os crescentes programas sociais sustentados pela sociedade e por vários empresários tanto por grandes quanto por pequenos, mesmo nesse mundo tão capitalista. A subnutrição, que era um problema comum na antiguidade, hoje atinge a poucos, problema esse quase sendo substituído pela obesidade que ocorre até entre os pobres, por tão disponíveis que se tornaram os alimentos.
Mas não há problemas no mundo? Claro que há, sem dúvida. Entretanto, certamente que só os loucos escolheriam viver num mundo como era há mais de 150 anos atrás. Aqueles sim eram tempos críticos e difíceis agravados com a desorientação e desinformação geral, no entanto a humanidade sobreviveu a eles. Os problemas que temos agora são bem menores e apenas novos, nós só temos que aprender a lidar com eles, o que não chega a representar um grande desafio devido ao alto nível de conhecimento difundido. Estamos presenciando hoje um grande momento da história humana para se viver, onde a ciência, que não mais está amarrada nem amordaçada pela religião, encontra rapidamente eficazes soluções para quase todos os problemas que surgem. Já passou da hora para humanidade se libertar desse legado medieval amaldiçoado de trevas religiosas.
Que a religião ainda é um grande mal hoje, isso é verdade, diga-se de passagem, um mal já bem desnecessário. Mas com a crescente globalização, em quase todo o mundo ninguém mais é punido por diferença religiosa, e esse perímetro está se ampliando. Nada é perfeito, é claro, mas mesmo aos trancos e barrancos a humanidade irá evoluir pra melhor a cada dia. Não haverá nenhum armagedom divino, o nosso futuro só depende de nós mesmos. A humanidade não precisa de religião, precisa de ética.
O grande problema de ter pessoas na sociedade ansiosas pelo fim do mundo, é que tudo que nós precisamos, tudo o que a sociedade precisa, é de pessoas dispostas a ajudar a transformar esse mundo em um lugar melhor pra se viver e não de pessoas que torcem pra que ele acabe. Essa linha de pensamento apocalíptico só traz prejuízos para todos, pois a pessoa que pensa assim passa a ter uma atitude de “o quanto pior melhor”. Isso é ruim pra sociedade, pro meio ambiente e pra própria pessoa. Por achar que o fim está próximo a pessoa não se interessará em participar ou ajudar programas sociais e assistenciais, não se preocupará em preservar o meio ambiente, não se interessará pela política que é algo que afeta intensamente a todos nós, e não se preocupará nem com ela mesma, quanto ao seu futuro profissional, intelectual e social, pois ela acredita que tudo isso acabará em breve e por isso não vale a pena. Entre os jovens que acreditam na idéia de que um armagedom virá em breve, não são raros os que passam a se desinteressar pelos estudos seculares, ou mesmo desistir da escola. Quem sustenta a política do “quanto pior melhor”, está na contramão do progresso da humanidade e trabalha não só contra a sociedade, mas contra si próprio. Estas pessoas estão entre as que só atrapalham a melhoria do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mundial e que, mesmo assim, tem melhorado a cada ano.
Hoje, para todos os problemas encontra-se uma solução. A pesar da imprensa estar garimpando as notícias chocantes e "ruins", e mesmo neste país ainda recordista em injustiças, pode-se ver muitas coisas mostrando como o mundo tem melhorado. E lembre-se que a morte não é um problema, é simplesmente o fim, o qual, alguns costumam dizer com bom humor que é a solução definitiva para todos os problemas. Veja o quanto isso é evidente:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM782110-7823-MOSQUITO+PROGRAMADO+PARA+MORRER,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM775611-7823-PEDREIRO+CRIA+BIBLIOTECA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM772898-7823-DOACAO+DE+ORGAOS+AINDA+E+PROBLEMA+NO+BRASIL,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM773837-7823-HABITOS+SAUDAVEIS+GARANTEM+LONGEVIDADE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM770929-7823-INVESTIMENTO+EM+USINAS+NUCLEARES+CAUSA+PROTESTOS+NA+FRANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM769510-7823-VEM+AI+O+CARRO+INTELIGENTE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM766542-7823-CENTRAL+DA+PERIFERIA+A+FAVELA+ONDE+POLICIAIS+E+MORADORES+VIVEM+EM+HARMONIA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM761777-7823-TECONOLGIA+PODE+SALVAR+BEBES+RECEMNASCIDOS,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM761364-7823-POR+TELEFONE+SOLDADO+SALVA+A+VIDA+DE+UMA+CRIANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM758574-7823-CIENTISTAS+CRIAM+CELULASTRONCO+A+PARTIR+DE+PELE+HUMANA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM713212-7823-CIENCIA+DA+UMA+MAOZINHA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM755200-7823-DEFICIENCIA+VITAMINICA+ATINGE+DOIS+BILHOES,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM755209-7823-AS+HERANCAS+DA+PROCLAMACAO+DA+REPUBLICA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM745872-7823-BEBE+ROUBADO+NA+MATERNIDADE+VOLTA+PARA+OS+BRACOS+DA+MAE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM742224-7823-OS+AVANCOS+DA+CIENCIA+NO+COMBATE+A+DENGUE,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM732902-7823-CADA+VEZ+MAIS+BRASILEIROS+SUPERAM+A+LINHA+DA+MISERIA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM732729-7823-MORADORES+DE+FORTALEZA+TROCAM+LIXO+RECICLAVEL+POR+ENERGIA+ELETRICA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM727779-7823-BRASIL+ANTECIPA+METAS+PARA+REDUZIR+A+POBREZA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM728218-7823-EXPOSICAO+FESTEJA+O+CINQUENTENARIO+DA+RBS,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM729735-7823-HOSPITAL+DE+BARRETOS+VIRA+REFERENCIA+NACIONAL,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM711984-7823-PROGRAMA+DE+DESBUROCRATIZACAO+E+SUCESSO+EM+PORTUGAL,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM713059-7823-PARA+ECONOMISTAS+BRASIL+PODE+ENFRENTAR+CRISES+EXTERNAS,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM713065-7823-TUDO+PRONTO+PARA+A+FESTA+DO+CRIANCA+ESPERANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM685286-7823-OS+BENEFICIOS+DA+RECICLAGEM,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM119860-7823-EMPREGO+NO+BRASIL+SOBRA+TRABALHO+NAS+CIDADES+DO+INTERIOR,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM650590-7823-AQUECIMENTO+GLOBAL+JA+E+ASSUNTO+DE+CRIANCA,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM656819-7823-RECICLAGEM,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM677433-7823-ATE+CACIQUE+E+PRESO+EM+OPERACAO+DA+PF,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM184093-7823-POLICIA+FEDERAL+USA+TECNOLOGIA+DE+ITAIPU+PARA+COMBATER+O+CRIME,00.html
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM663187-7823-ASSASSINATO+COMBINADO+PELA+INTERNET+E+EVITADO+PELA+POLICIA,00.html
quinta-feira, 21 de julho de 2011
25 ARGUMENTOS CRIACIONISTAS & 25 RESPOSTAS EVOLUCIONISTAS
http://rock.geosociety.org/docs/criticalissues/ev_shermer.htm
25 ARGUMENTOS CRIACIONISTAS & 25 RESPOSTAS EVOLUCIONISTAS
Por Michael Shermer – Editor executivo da Skeptic Magazine e professor auxiliar adjunto de História da Ciência do Occidental College. - mshermer@skeptic.com
O que se segue é uma lista de argumentos utilizados pelos criacionistas. Aborda principalmente os problemas que eles vêem na teoria evolucionista. Tais argumentos, embora mais discretamente, também defendem sua crença religiosa. Os argumentos e respostas foram simplificados por uma questão de espaço, mas mostram o essencial do debate. Eu os organizei para uso durante meu seminário sobre o assunto, com a duração de um semestre, e cabe aqui uma importante advertência: estas explicações não substituem uma leitura mais detalhada das obras disponíveis. Podem até servir para uma conversa casual, mas não para um debate formal com criacionistas bem preparados.
Explicações mais detalhadas podem ser encontrados em inúmeros livros como os citados a seguir, que eu usei para preparar este texto e que são um bom lugar para se começar:
Evolution: The History of an Idea (1989) por Peter Bowler (University of California Press); Science on Trial: The Case for Evolution (1982) por Douglas Futuyma (Pantheon); Creationism on Trial: Evolution and God at Little Rock (1985) por Langdon Gilkey (Harper & Row); Scientists Confront Creationism (1983) por Laurie Godfrey (ed.) (Norton); Hen's Teeth and Horse's Toes (1983) e Bully for Brontosaurus (1991) por Stephen Jay Gould (Norton); The Creationists (1992) por Ronald Numbers (Knopf); Darwinism Defended (1982) por Michael Ruse (Addison-Wesley).
Agradeço a Donald Prothero, Elie Shneour e Tom McIver, da equipe de editores da Skeptic, por revisar a lista.
Uma segunda advertência: céticos com frequência se envolvem em debates, alguns formais e a maioria informal, portanto seria sensato considerar as palavras de Stephen Jay Gould, que se confrontou com criacionistas em muitas ocasiões (tiradas de uma conferência na CALTECH em 1985):
Debater é uma forma de arte. Trata-se de vencer por meio de argumentos. Não se trata de descobrir a verdade. Há certas regras e procedimentos para se debater que nada têm a ver com se estabelecerem os fatos – e os criacionistas são muito bons nisto. Algumas destas regras são: nunca diga nada de bom sobre aquilo que você defende, pois dá ao oponente a chance de lhe atacar. Em vez disto, martele os pontos que lhe parecem fracos na posição de seu oponente. Eles são bons nisto e eu não creio que possa vencê-los num debate. Só consigo empatar. Nos tribunais, entretanto, eles ficam em desvantagem porque, durante um julgamento, você não pode desenvolver o assunto. Num tribunal, você tem que responder a perguntas diretas sobre as virtudes de sua crença. Nós os destruímos no Arkansas. No segundo dia de um julgamento de duas semanas, já tínhamos definido nossa vitória!
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MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DA MORTE DE UM MONSTRO
"O mundo foi criado a partir dos pedaços de um monstro derrotado”
Culturas representativas: indochineses, cabilas (África), habitantes das ilhas Gilbert, coreanos, sumério-babilônicos, gregos
MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DE UMA ORDEM DIVINA
"O mundo surgiu por ordem de um deus”
Culturas representativas: Egípcios, maias, índios maidu, hebreus, sumérios, gregos
MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DE UM CASAL PRIMORDIAL
"O mundo foi criado por meio da interação de pais primordiais"
Culturas representativas: índios zufii, habitantes das ilhas Cook, gregos, índios luisciio, egípcios, taitianos
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ARGUMENTOS FILOSÓFICOS E RESPOSTAS
1. O criacionismo científico é científico e portanto deve ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas.
O criacionismo científico só é científico no nome. É uma defesa mal disfarçada da crença religiosa na criação especial, portanto não tem cabimento apresentá-lo em cursos de ciência nas escolas públicas, e não merece mais atenção do que mereceriam coisas chamadas “ciência islâmica”, “ciência budista” ou “ciência cristã”. A afirmação a seguir vem do Instituto de Pesquisa Criacionista (Institute for Creation Research), que é o departamento de “pesquisa” do Christian Heritage College e estabelece as normas que são seguidas por todos os membros da faculdade e pesquisadores. Ela deixa claro quais são suas verdadeiras crenças. Não há nada de científico no “criacionismo científico”:
2. Nem o criacionismo nem o evolucionismo são científicos porque “a ciência só se ocupa do aqui-e-agora e não pode responder a perguntas sobre a história da criação do universo e as origens da vida e do homem”.
Isto, é claro, derruba o “criacionismo científico” e o argumento #1, mas é falso, de qualquer forma, porque o fato é que a ciência lida com fenômenos do passado, como é o caso de ciências históricas como a cosmologia, geologia, paleontologia, paleoantropologia e arqueologia. Há ciências experimentais e ciências históricas, que usam metodologias diferentes, mas que se equivalem em sua capacidade de entender a causalidade, e a biologia evolucionária é uma ciência histórica válida e legítima. Se esta afirmação fosse correta, grande parte da ciência, e não apenas o evolucionismo, seria estéril.
3. Já que a educação inclui aprender todos os pontos de vista sobre um assunto, é apropriado que tanto o criacionismo quanto o evolucionismo sejam ensinados lado a lado nas escolas públicas. Não fazer isto viola a filosofia da educação e a liberdade dos criacionistas, ou seja, nós temos o direito de ser ouvidos. Além disto, que mal há em se ouvir ambos os lados?
Apresentar múltiplos pontos de vista sobre cada assunto certamente faz parte do processo educacional e poderia ser apropriado discutir criacionismo em aulas de religião, história e até mesmo filosofia, mas certamente não de ciência, não mais do que cursos de biologia devam abordar os mitos da criação dos índios americanos. Não tratar de tais assuntos não viola os direitos de ninguém, já que em lugar nenhum na natureza ou na constituição está dito que todos têm direito a ensinar criacionismo nas escolas públicas. Os direitos não existem na natureza. Direitos são um conceito construído por humanos para proteger certas liberdades, mas degeneraram em pedidos de privilégios especiais para praticamente cada grupo e indivíduo na América que deseja algo que não tem. E, por fim, faz muito mal ensinar “criacionismo científico” como se fosse ciência porque é uma agressão a todas as ciências, não apenas à biologia evolucionária. Se o universo e a Terra tivessem apenas 10 mil anos de idade, a cosmologia, astronomia, física, química, geologia, paleontologia etc. seriam invalidadas. O criacionismo não pode nem mesmo estar parcialmente correto. No momento em que se admite uma causa sobrenatural para o surgimento de uma única espécie que seja, todas poderiam ter sido criadas assim e as leis da natureza perderiam a utilidade e o sentido.
4. Há uma espantosa correspondência entre os “fatos” da natureza e os “atos” da Bíblia. Portanto, é apropriado referenciar os livros de “criacionismo científico” à Bíblia e considerar a Bíblia como um livro de ciência, tanto quanto o livro da natureza.
A verdadeira mentalidade dos criacionistas pode ser vista na citação de Henry Morris abaixo. Ele dirige o Institute for Creation Research e suas palavras revelam sua preferência pela fé como autoridade no caso de se encontrar qualquer evidência empírica contraditória (o que demonstra que eles não têm nenhuma metodologia científica):
A principal razão para se insistir no Dilúvio Universal como um fato histórico e como base para a interpretação geológica é que é isto que a Palavra de Deus nos ensina! Não podemos permitir que dificuldades geológicas, reais ou imaginadas, tenham precedência sobre as claras afirmações da Bíblia e as implicações que necessariamente resultam delas.
Seria ridículo imaginar os professores da CALTECH, por exemplo, defendendo uma crença cega deste tipo no livro de Darwin ou no de Newton no sentido de que nenhum fato discordante pudesse ter precedência sobre a autoridade do livro.
5. A teoria da seleção natural é tautológica, ou seja, é uma forma de raciocínio
circular. Aqueles que sobrevivem são os mais bem adaptados. Quem são os mais
bem adaptados? Aqueles que sobrevivem. Da mesma forma, rochas são usadas para
datar fósseis e fósseis são usados para datar rochas. A ciência não pode se basear
em tautologias.
Criacionistas têm uma visão muito simplista e um entendimento ingênuo de como funcionam a seleção natural e as forças geológicas. Em primeiro lugar, a seleção natural não é o único mecanismo de mudança orgânica (p.ex., Darwin escrevou um livro inteiro sobre a seleção sexual). Em segundo lugar, a genética da população mostra claramente, e com previsões matemáticas, quando a seleção natural vai provocar ou não mudanças numa população. Em terceiro lugar, é possível se fazerem previsões com base na teoria da seleção natural e então testá-las, como os geneticistas fazem no exemplo acima ou os paleontologistas fazem ao interpretar o registro fóssil. A seleção natural e a teoria da evolução são testáveis e falsificáveis. Se encontrássemos fósseis de hominídeos na mesma camada geológica que os trilobitas, por exemplo, teríamos uma evidência contra a teoria. A datação de fósseis a partir da rochas e vice-versa só pode ser feita depois que a sequência de camadas foi estabelecida. Esta sequência não é encontrada inteira em nenhum lugar porque as camadas estão interrompidas, deformadas e sempre incompletas por várias razões. Por outro lado, a ordem das camadas não é aleatória e a ordem cronológica pode ser determinada usando-se um conjunto de técnicas, sendo que os fósseis são apenas uma delas.
6. “Só há duas explicações para a origem da vida e a existência do homem, das plantas e dos animais: ou resultam do trabalho de um criador ou não”. Como as evidências não sustentam a teoria da evolução (ou seja, ela está errada), o criacionismo tem que estar certo. Qualquer evidência “que não é a favor da teoria da evolução é necessariamente a favor do criacionismo”.
Desconfie dos que dizem que “só há duas...”. Este é o clássico erro lógico conhecido como a falácia do isto-ou-aquilo, ou falácia das falsas alternativas. Se A é falso, então B tem que ser verdade. Ah é? Por que? Será que B não pode ser verdade sem depender de A? Claro que sim. Portanto, mesmo que se descubra que a teoria da evolução está totalmente errada e tudo não passou de um grande engano, isto não significa que, por mágica, o criacionismo esteja certo. Talvez haja alternativas C, D e E que ainda temos que considerar. Entretanto, há uma dicotomia verdadeira no caso de explicação natural versus explicação sobrenatural. Ou a vida foi criada e evoluiu por meios naturais ou não. Cientistas assumem que as causas foram naturais e os evolucionistas discutem as várias causas envolvidas, e não se tudo aconteceu por meios naturais ou sobrenaturais.
7. A teoria da evolução é a base do marxismo, comunismo, ateísmo e imoralidade e é a causa do declínio generalizado dos valores morais e da cultura da América, portanto é ruim para nossas crianças.
Neste argumento, começamos a ver que o criacionismo tem como base cultural um movimento social e político, e não científico. É por isto, em parte, que eles apelaram para o sistema legislativo numa tentativa de fazer com que o Estado imponha o ensino de sua “ciência” aos estudantes. Mas as leis não podem transformar um sistema de crenças em algo científico. Apenas os cientistas podem fazer isto.
A teoria da evolução, em particular, e a ciência, de modo geral, não são as responsáveis por estes “ismos” assim como as impressoras não são responsáveis pelo livro “Mein Kampf”, de Hitler. O fato de que a ciência da genética tenha sido usada para reforçar teorias raciais sobre a inferioridade inata de alguns grupos não significa que nós devamos abandonar o estudo da genética. Pode muito bem haver evolucionistas marxistas, comunistas, ateus e até imorais (seja lá qual for a definição de imoralidade), mas provavelmente há outros tantos evolucionistas capitalistas, teístas (ou agnósticos) e de moral inatacável. Quanto à teoria propriamente dita, pode ser usada para justificar o marxismo, o comunismo e o ateísmo, e foi, mas também tem sido usada (especialmente na América) para dar respeitabilidade científica ao liberalismo capitalista. Associar teorias científicas a ideologias políticas é um assunto perigoso e devemos ter cuidado ao fazer conexões sem evidências claras.
8. A teoria da evolução e seu amante, o humanismo secular, são, na verdade, uma religião, portanto não devem ser ensinadas nas escolas públicas.
Chamar a ciência da biologia evolucionária de religião é definir religião de uma maneira tão genérica que ela se torna totalmente sem sentido. Ciência é um conjunto de métodos criados para descrever e interpretar fenômenos observados ou inferidos, passados ou presentes, com o objetivo de se construir um corpo de conhecimentos aberto à rejeição ou confirmação. Religião – qualquer que seja – certamente não é “testável” nem “aberta à rejeição ou confirmação”. Da mesma forma, o “secular” de humanismo secular significa, por definição, “não religioso” e, portanto, não pode ser considerado religioso. As metodologias da ciência e da religião apontam em direções totalmente opostas.
9. Muitos dos principais evolucionistas são céticos quanto à teoria e a consideram
problemática. Por exemplo, a teoria do equilíbrio pontuado de Stephen Jay Gould e
Niles Eldredge provou que Darwin estava errado. Se os maiores evolucionistas do
mundo não conseguem entrar num acordo, a coisa toda deve ser uma bobagem.
É particularmente irônico que os criacionistas tenham que citar o principal opositor ao criacionismo – Gould – nas suas tentativas de usar a ciência em seu benefício. Os criacionistas interpretam de forma errada, ou por ingenuidade ou intencionalmente, o saudável debate científico entre evolucionistas quanto aos agentes que causam as mudanças orgânicas. Eles parecem achar que esta troca normal de idéias e a natureza auto-corretiva da ciência são uma prova de que o evolucionismo está se esfarelando. Evolucionistas debatem e discutem sobre muitos detalhes, mas todos eles concordam sobre uma coisa: a evolução ocorreu. O que eles continuam debatendo é exatamente como ela ocorreu e qual a importância dos diversos mecanismos que a provocam. A teoria do equilíbrio pontuado de Eldredge e Gould é um refinamento e um aperfeiçoamento da teoria mais geral de Darwin. Ela não prova que Darwin estava errado assim como a relatividade de Einstein não prova que Newton estava errado.
10. A história da teoria da evolução em particular, e da ciência em geral, está cheia de
teorias erradas e idéias derrotadas. O homem de Nebraska, o homem de Piltdown, o
homem de Calaveras e o Hesperopithecus são apenas algumas das besteiras que os
cientistas fizeram. Fica claro que a ciência não merece confiança e as teorias
modernas não são melhores que as antigas.
Mais uma vez, esta é uma confusão grosseira sobre a natureza da ciência, que está constantemente construindo novas idéias sobre as idéias do passado. A ciência não apenas muda, ela se baseia no passado e avança para o futuro. Comete muitos erros, mas a característica de auto-correção do método científico é uma das suas mais belas qualidades. Fraudes como a do homem de Piltdown ou do homem de Calaveras e erros honestos como o do homem de Nebraska e do Hesperopithecus são, mais cedo ou mais tarde, descobertos. A ciência tropeça às vezes, mas levanta a si mesma, sacode a própria poeira e segue em frente. Como disse Einstein, a ciência pode ser “primitiva e infantil”, mas “é a coisa mais preciosa que temos”. É particularmente paradoxal que os “cientistas” criacionistas usem a retórica da ciência de modo a parecerem pesquisadores sérios e, ao mesmo tempo, ataquem exatamente as virtudes da ciência que eles dizem ter.
11. Todas as causas têm efeitos. A causa de “X” tem que ser “do mesmo tipo que X”, ou
seja, a causa da inteligência tem que ser inteligente. Além disto, se recuarmos no
tempo em busca da causa de cada causa, é preciso concluir que vamos acabar
encontrando uma primeira causa – Deus. O mesmo acontece com o movimento
(todas as coisas em movimento devem ter tido um primeiro motor, um motor que não
precisa de outro motor para se mover – Deus). Além disto, todas as coisas no
universo têm um propósito, portanto tem que existir um projetista inteligente.
Se isto fosse verdade, então a natureza deveria ter uma causa natural, e não uma causa sobrenatural! Mas isto não é verdade: a causa de “X” não precisa ser “do mesmo tipo que X”. A “causa” da tinta verde é tinta azul misturada com amarela, e nenhuma delas é verde. Esterco animal faz as árvores frutíferas crescerem melhor. As frutas são deliciosas de se comer e, portanto, nem um pouco parecidas com esterco! Os argumentos da primeira causa e do primeiro motor, brilhantemente proferidos por São Tomás de Aquino no século 14 e ainda mais brilhantemente refutados por David Hume no século 18, são facilmente respondidos com apenas mais uma pergunta: quem ou o que causou e moveu Deus? Além disto, como Hume demonstrou, “propósito” é muitas vezes uma coisa ilusória e subjetiva. “O pássaro que madruga pega a minhoca” é uma boa idéia se você for o pássaro, mas não se você for a minhoca. Dois olhos parece ser a quantidade ideal, mas, como Richard Hardison comentou, “não seria bom ter um olho a mais na nuca e ainda um outro na ponta do dedo indicador para ajudar quando você estivesse mexendo atrás do painel de um automóvel?” Propósito é, em parte, aquilo a que estamos acostumados. A verdade é que nem tudo foi lindamente projetado e com um propósito. Mesmo sem falarmos no problema do mal, das doenças e deformidades que os criacionistas convenientemente fingem não ver, a natureza está cheia de coisas bizarras e sem propósito aparente. Os bicos dos seios masculinos e o polegar dos pandas são apenas dois exemplos do que Gould gosta de exibir como estruturas mal projetadas e sem propósito. Se Deus graciosamente projetou a vida para se encaixar perfeitamente como as peças de um quebra-cabeças, como você explica essas esquisitices?
12. Uma coisa não pode ser criada a partir do nada, dizem os cientistas. Portanto, de
onde veio o material para o Big Bang? E de onde vieram as primeiras formas de
vida que deram origem à evolução? A experiência de Stanley Miller, que criou
aminoácidos a partir de uma “sopa” orgânica e outras moléculas biogênicas não é
a criação da vida.
A ciência não tem condições de responder a perguntas “definitivas” do tipo “o que havia antes do começo do universo?”, “que horas eram antes do tempo começar?”, “de onde veio a matéria para o Big Bang?”. Estas perguntas são filosóficas ou religiosas, não científicas, e portanto não são parte da ciência. A teoria da evolução tenta entender as causas da mudança depois que o tempo e a matéria foram “criados” (seja lá o que isto signifique). Quanto às origens da vida, a bioquímica tem uma explicação bem racional e científica para a evolução de compostos inorgânicos para orgânicos, a criação de aminoácidos e a contrução de cadeias de proteínas, as primeiras e primitivas células e assim por diante (e Miller nunca afirmou ter criado vida, apenas algumas das partes que a formam). Embora estas teorias ainda tenham pontos fracos e estejam sujeitas a intensos debates científicos, já mostram que existe uma explicação razoável sobre como se avançou do Big Bang até o cérebro humano no universo que conhecemos.
ARGUMENTOS “CIENTÍFICOS” E RESPOSTAS
13. As estatísticas mostram que, à taxa atual de crescimento e considerando a
população atual, havia apenas duas pessoas vivendo há, aproximadamente, 6300
anos atrás, ou seja, 4300 a.C. Isto prova que a humanidade e a civilização são bem
recentes. Se a Terra fosse mais velha, com um milhão de anos, por exemplo, após
25000 gerações a uma taxa de crescimento de 0,5% e uma média de 2,5 crianças
por família, a população de hoje seria de 10 elevado a 2100 pessoas., o que é
impossível, já que só há 10 elevado a 130 elétrons no universo conhecido.
Como Disraeli comentou (e Mark Twain repetiu), há três tipos de mentiras: “mentiras, mentiras descaradas e estatísticas”. Mas, se você quer jogar o jogo dos números, eis mais alguns: segundo esta análise, em 2600 a.C. haveria uma população total na Terra de umas 600 pessoas. Nós sabemos com um alto grau de certeza que, em 2600 a.C., havia civilizações florescendo no Egito, Mesopotâmia, vale do rio Indo, China etc. Se, generosamente, dermos ao Egito 1/6 da população mundial, teriam sido necessários alguns milagres ou talvez a ajuda de antigos astronautas para que 60 pessoas conseguissem construir as pirâmides, sem falar em todos os outros monumentos arquitetônicos! O fato é que as populações não crescem de maneira constante. Há períodos de grande expansão e outros até com diminuição. A história da população humana antes da Revolução Industrial é uma série de momentos de crescimento e prosperidade seguidos por fome e declínio. A curva populacional está cheia de picos e vales ao longo dos milhares de anos em que a humanidade lutou para escapar da extinção, embora, em média, tenha sempre crescido, ainda que bem lentamente. Foi apenas a partir do século 19 que a taxa de crescimento se acelerou.
14. A seleção natural só causa pequenas mudanças nas espécies – microevolução. As
mutações que os evolucionistas usam para explicar a macroevolução são sempre
prejudiciais, raras e aleatórias, e não podem ser vistas como a força que
impulsiona a mudança evolucionária.
Jamais esquecerei as quatro palavras que o biólogo evolucionista Bayard Bratstram martelava em nossos cérebros quando estudávamos na Universidade Estadual da Califórnia, em Fullerton - “Mutantes não são monstros”. O que ele queria dizer é que aquilo que o público em geral entende como mutação são as vacas de duas cabeças apresentadas em feiras rurais e coisas assim, mas não é este tipo de mutação que os evolucionistas estudam. Ninguém dirá que mutações assim são benéficas, mas a maioria das mutações são apenas pequenas aberrações genéticas ou cromossômicas que causam efeitos mínimos. Alguns destes pequenos efeitos podem ser benéficos a um organismo que vive num meio ambiente sujeito a constantes variações. Além disto, a teoria moderna da “especiação alopátrica”, sugerida por Ernst Mayr e integrada à paleontologia por Eldredge e Gould, demonstra precisamente como a seleção natural, em conjunto com outras forças e circunstâncias da natureza, pode produzir – e produz – novas espécies.
Nota: especiação alopátrica ou geográfica é o surgimento de novas espécies devido ao isolamento geográfico.
15 . Não há fósseis de transição em nenhum lugar, incluindo e especialmente humanos.
O registro fóssil inteiro é uma coisa embaraçosa para os evolucionistas. Os
neandertais, por exemplo. Não passam de esqueletos doentes – artrite, deformações
por desnutrição etc., o que explica as pernas arqueadas, supercílio saliente e
esqueleto maior. E o Homo Erectus e o Autralopithecus são apenas macacos.
Os criacionistas sempre citam o famoso trecho de “A origem da espécies”, de Darwin, onde ele pergunta: "Por que então todas as formações geológicas e todos os estratos não são ricos em formas intermediárias? O certo é que a geologia não revela nenhuma cadeia orgânica com uma progressão perfeitamente gradual e talvez seja esta a mais grave objeção que possa ser anteposta à minha teoria". Uma resposta é que exemplos de fósseis transicionais foram descobertos em abundância desde a época de Darwin. Basta pesquisar em qualquer texto sobre paleontologia. Uma segunda resposta foi fornecida em 1972 por Eldredge e Gould, quando eles mostraram que lacunas no registro fóssil não indicam falta de dados sobre uma mudança lenta e gradual. Na verdade, isto é evidência de mudanças súbitas em determinadas ocasiões. Usando a “especiação alopátrica” de Mayr, onde populações “fundadoras” pequenas e instáveis ficam isoladas na periferia de populações maiores, eles mostraram que a mudança relativamente rápida nestas pequenas populações cria novas espécies, mas deixa para trás poucos fósseis, quando deixa. O processo de fossilização ocorre raramente. Ele quase não existe durante esses tempos de especiação rápida. A falta de fósseis é uma evidência de que a mudança foi rápida, e não uma falta de evidência de evolução gradual.
16. A Segunda Lei da Termodinâmica prova que a evolução não pode ter ocorrido, já
que o universo e a vida se movem do caos para a ordem e do simples para o
complexo, o oposto exato da entropia prevista pela Segunda Lei.
Em primeiro lugar, em qualquer escala de tempo que não seja a maior de todas – 600 milhões de anos de vida sobre a Terra – as espécies não evoluem do simples para o complexo e a vida não se move assim tão simplesmente do caos para a ordem. A história da vida é toda marcada por começos fracassados, experiências que falharam, pequenas extinções e extinções em massa, e recomeços caóticos. Não se parece nem um pouco com aquelas figuras coloridas das revistas que mostram a vida evoluindo da primeira célula viva até os humanos. Entretanto, mesmo numa escala maior de tempo, a Segunda Lei permite esta mudança porque a Terra está dentro de um sistema que recebe energia externa do Sol continuamente. Enquanto o Sol brilhar, a vida poderá continuar progredindo e evoluindo, da mesma forma que os automóveis podem ser protegidos da corrosão, hambúrgueres podem ser aquecidos no forno e muitas outras coisas que parecem violar a Segunda Lei e a entropia podem continuar existindo. Mas, assim que o Sol se apagar, a entropia voltará a aumentar e a vida acabará. A Segunda Lei da Termodinâmica se aplica a sistemas fechados e isolados. Como a Terra recebe um fluxo constante de energia do Sol, a entropia deve diminuir e a ordem aumentar (mesmo que o Sol esteja caminhando para o fim durante este processo). Deste modo, a Terra não é exatamente um sistema fechado e a vida pode evoluir sem violar a lei natural. Além disto, pesquisas recentes sobre a teoria do caos mostram que a ordem pode ser e é gerada espontaneamente a partir de um caos aparente, sem violar a Segunda Lei da Termodinâmica. A evolução não contraria a Segunda Lei da Termodinâmica assim como não se contraria a lei da gravidade quando se dá um pulo.
17. Até mesmo a mais simples forma de vida é complexa demais para ter surgido
aleatóriamente. Considere um organismo simples constituído de apenas 100 partes.
Matematicamente, há 10 elevado a 158 possíveis maneiras de se combinarem as partes.
Não há moléculas suficientes no universo para atingir este número ou tempo desde o início
do universo para que todas essas possíveis combinações ocorram até mesmo numa forma
de vida tão simples, quanto mais num ser humano. O próprio olho humano sozinho já é
difícil de se explicar por meio de uma evolução aleatória. Equivale a um macaco conseguir
digitar Hamlet ou mesmo apenas “to be or not to be”. Não acontecerá por acaso.
A seleção natural não é “aleatória” nem funciona com base no “acaso”. A seleção natural preserva o que dá certo e elimina os erros. O olho evoluiu de uma única célula sensível à luz até o complexo olho de hoje em dia através de centenas, talvez milhares de passos intermediários, muitos dos quais ainda existem na natureza. Para que o macaco conseguisse digitar as 13 primeiras letras do monólogo de Hamlet por sorte, seriam necessárias 26 elevado a 13 tentativas. Isto é 16 vezes o tempo que decorreu desde o início do sistema solar. Porém, se cada letra correta é preservada e cada letra incorreta é eliminada, o processo ocorre muito mais rápido. Quanto mais rápido? Richard Hardison criou um programa de computador que selecionava as letras, mantendo as certas e eliminando as erradas, e só foram necessárias 335,2 tentativas para se chegar à sequência de letras TOBEORNOTTOBE. O computador levou menos de 90 segundos para isto. A peça inteira de Shakespeare pode ser “montada” em uns 4,5 dias!
18. A separação hidrodinâmica durante o Dilúvio explica a aparente sequência de
fósseis ao longo dos estratos geológicos. Os organismos mais simples e ignorantes
morreram no mar e estão nas camadas inferiores, enquanto que os mais complexos,
inteligentes e rápidos morreram em locais mais elevados.
Será que nem um único trilobita flutuou até um estrato superior? Será que nem um único cavalo burro estava na praia e se afogou num estrato inferior? Nenhum pterodáctilo voador conseguiu chegar acima da camada do Cretáceo? Não houve nenhum ser humano idiota que não tentou fugir da chuva? Falando de argumentos absurdos, tente imaginar como um barco de 150m de comprimento por 25m de largura e 15m de altura conseguiria abrigar dois indivíduos de cada uma das espécies na Terra, algo entre 10 a 100 milhões delas. Isto é um problema até para os criacionistas, portanto eles alegam que só havia 30.000 espécies, sendo que o resto se desenvolveu a partir deste grupo inicial, o que faz dos criacionistas os maiores defensores da evolução rápida! Além disto, como você alimentaria 60.000 animais por 371 dias? Pior ainda, como você impediria que 60.000 animais devorassem uns aos outros? E o pior de tudo, quem cuidava da limpeza?
19. As técnicas de datação dos evolucionistas estão erradas, não merecem confiança e
chegam a resultados aleatórios. Elas dão a falsa impressão de que a Terra é muito antiga
quando, na verdade, ela não tem mais que 10 mil anos, o que já foi demonstrado pelo Dr.
Thomas Barnes, da Universidade do Texas, em El Paso. Ele provou que a meia-vida do
campo magnético da Terra é de 1400 anos.
Em primeiro lugar, o argumento do campo magnético de Barnes assume erradamente que o decaimento do campo magnético é linear quando, na verdade, a geofísica demonstra que ele flutua ao longo do tempo. Além disto, chega a ser engraçado ver como os criacionistas descartam sem maiores comentários todas as técnicas de datação exceto aquelas que parecem confirmar suas crenças. Acontece que as várias técnicas de datação já provaram não apenas ser bastante confiáveis como também confirmam os resultados umas das outras. Por exemplo, as datações obtidas usando-se diferentes elementos em uma mesma rocha indicam todas a mesma antiquidade.
20. A classificação dos organismos acima do nível das espécies é arbitrária e inventada por
humanos. A taxonomia não prova nada.
A ciência da classificação é, sem dúvida, uma criação do homem, assim como todas as ciências. Entretanto, o agrupamento dos organismos não tem nada de arbitrário, ainda que haja alguma subjetividade envolvida. O objetivo básico da cladística é fazer com que a taxonomia não seja subjetiva. A classificação hierárquica dividida em itens e sub-itens é uma das principais fontes de evidências de que houve uma evolução. Não há nada arbitrário, por exemplo, em se classificar humanos e chimpanzés em separado. Ninguém confunde um com o outro. Um teste interessante desta afirmação é perceber que culturas diferentes chegam às mesmas conclusões. Por exemplo, biólogos ocidentais e nativos da Nova Guiné identificam os mesmos tipos de pássaros como sendo espécies separadas. Tais agrupamentos realmente existem na natureza.
21. Se a evolução fosse gradual, não deveria haver lacunas entre as espécies, tornando a
classificação (taxonomia) impossível.
A evolução nem sempre é gradual. Com frequência, ela é esporádica. E os evolucionistas nunca disseram que não deveria haver lacunas. As lacunas não provam o criacionismo assim como períodos não documentados da história humana não provam que civilizações surgiram de repente.
22. “Fósseis vivos” como o celacanto e o caranguejo-ferradura (límulo) provam que toda a
vida foi criada de uma só vez.
Neste caso, o que dizer de todas as espécies extintas? Foram erros de Deus? Fósseis vivos (organismos que não mudaram por milhões de anos) apenas indicam que eles se adaptaram de uma tal forma ao seu meio ambiente estático e sem mudanças que não precisaram mudar mais. E há várias espécies de celacantos.
23. O problema das estruturas incompletas refuta completamente a seleção natural: uma nova estrutura que se desenvolve lentamente ao longo do tempo não representaria uma
vantagem para o organismo no início ou nos estágios intermediários, e sim apenas quando
já estivesse totalmente desenvolvida, o que só acontece por meio de criação divina. Por
exemplo: de que servem 5% de uma asa ou 55%? Para ser útil, tem que ser tudo ou nada.
Uma asa incompleta pode ser alguma outra coisa completa, como um regulador térmico para répteis ectotérmicos (que dependem de fontes externas de calor). E não é verdade que uma coisa em seus estágios iniciais seja completamente inútil. É melhor ter visão parcial que cegueira completa. É uma vantagem ser capaz de planar, mesmo que você não consiga um vôo totalmente controlado.
24. Estruturas homólogas (a asa do morcego, a nadadeira da baleia, o braço humano) são
uma prova do design inteligente.
É claro que, se apelarem para milagres e intervenções divinas, os criacionistas podem selecionar e escolher qualquer coisa na natureza como prova da ação de Deus e então ignorar o resto. Por outro lado, as estruturas homólogas não fazem nenhum sentido se partirmos do princípio de que Deus criou tudo do jeito que é hoje. Por que uma baleia deveria ter os mesmos ossos em sua nadadeira que um homem tem em seu braço ou um morcego em sua asa? Não há nenhum motivo. Um designer inteligente poderia fazer bem melhor que isto. Pelo contrário, estas estruturas similares indicam uma ancestralidade comum seguida de modificações, e não uma criação divina.
25. “A Bíblia é o registro da Palavra de Deus … tudo o que ela afirma é histórica e cientificamente verdadeiro. O Dilúvio universal descrito no Gênesis foi um evento histórico, e com efeito e extensão mundiais. Nós somos uma organização de homens de ciência cristãos que aceitam Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. A narrativa da criação divina de Adão e Eva como um homem e uma mulher e sua posterior queda em pecado são a base para nossa crença na necessidade de um Salvador para toda a humanidade”.
Uma tal declaração de fé é claramente religiosa, e não científica. Isto não a torna necessariamente errada, só que o criacionismo científico é, na verdade, criacionismo religioso e, desta forma, ultrapassa a barreira que separa religião e Estado. Em escolas particulares fundadas e/ou controladas por criacionistas, é direito deles ensinar a suas crianças o que quer que seja que eles queiram. Entretanto, querer que o Estado force os professores a ensinar uma doutrina religiosa como se fosse científica é irracional e oneroso.
25 ARGUMENTOS CRIACIONISTAS & 25 RESPOSTAS EVOLUCIONISTAS
Por Michael Shermer – Editor executivo da Skeptic Magazine e professor auxiliar adjunto de História da Ciência do Occidental College. - mshermer@skeptic.com
O que se segue é uma lista de argumentos utilizados pelos criacionistas. Aborda principalmente os problemas que eles vêem na teoria evolucionista. Tais argumentos, embora mais discretamente, também defendem sua crença religiosa. Os argumentos e respostas foram simplificados por uma questão de espaço, mas mostram o essencial do debate. Eu os organizei para uso durante meu seminário sobre o assunto, com a duração de um semestre, e cabe aqui uma importante advertência: estas explicações não substituem uma leitura mais detalhada das obras disponíveis. Podem até servir para uma conversa casual, mas não para um debate formal com criacionistas bem preparados.
Explicações mais detalhadas podem ser encontrados em inúmeros livros como os citados a seguir, que eu usei para preparar este texto e que são um bom lugar para se começar:
Evolution: The History of an Idea (1989) por Peter Bowler (University of California Press); Science on Trial: The Case for Evolution (1982) por Douglas Futuyma (Pantheon); Creationism on Trial: Evolution and God at Little Rock (1985) por Langdon Gilkey (Harper & Row); Scientists Confront Creationism (1983) por Laurie Godfrey (ed.) (Norton); Hen's Teeth and Horse's Toes (1983) e Bully for Brontosaurus (1991) por Stephen Jay Gould (Norton); The Creationists (1992) por Ronald Numbers (Knopf); Darwinism Defended (1982) por Michael Ruse (Addison-Wesley).
Agradeço a Donald Prothero, Elie Shneour e Tom McIver, da equipe de editores da Skeptic, por revisar a lista.
Uma segunda advertência: céticos com frequência se envolvem em debates, alguns formais e a maioria informal, portanto seria sensato considerar as palavras de Stephen Jay Gould, que se confrontou com criacionistas em muitas ocasiões (tiradas de uma conferência na CALTECH em 1985):
Debater é uma forma de arte. Trata-se de vencer por meio de argumentos. Não se trata de descobrir a verdade. Há certas regras e procedimentos para se debater que nada têm a ver com se estabelecerem os fatos – e os criacionistas são muito bons nisto. Algumas destas regras são: nunca diga nada de bom sobre aquilo que você defende, pois dá ao oponente a chance de lhe atacar. Em vez disto, martele os pontos que lhe parecem fracos na posição de seu oponente. Eles são bons nisto e eu não creio que possa vencê-los num debate. Só consigo empatar. Nos tribunais, entretanto, eles ficam em desvantagem porque, durante um julgamento, você não pode desenvolver o assunto. Num tribunal, você tem que responder a perguntas diretas sobre as virtudes de sua crença. Nós os destruímos no Arkansas. No segundo dia de um julgamento de duas semanas, já tínhamos definido nossa vitória!
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MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DA MORTE DE UM MONSTRO
"O mundo foi criado a partir dos pedaços de um monstro derrotado”
Culturas representativas: indochineses, cabilas (África), habitantes das ilhas Gilbert, coreanos, sumério-babilônicos, gregos
MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DE UMA ORDEM DIVINA
"O mundo surgiu por ordem de um deus”
Culturas representativas: Egípcios, maias, índios maidu, hebreus, sumérios, gregos
MITOS DA CRIAÇÃO A PARTIR DE UM CASAL PRIMORDIAL
"O mundo foi criado por meio da interação de pais primordiais"
Culturas representativas: índios zufii, habitantes das ilhas Cook, gregos, índios luisciio, egípcios, taitianos
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ARGUMENTOS FILOSÓFICOS E RESPOSTAS
1. O criacionismo científico é científico e portanto deve ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas.
O criacionismo científico só é científico no nome. É uma defesa mal disfarçada da crença religiosa na criação especial, portanto não tem cabimento apresentá-lo em cursos de ciência nas escolas públicas, e não merece mais atenção do que mereceriam coisas chamadas “ciência islâmica”, “ciência budista” ou “ciência cristã”. A afirmação a seguir vem do Instituto de Pesquisa Criacionista (Institute for Creation Research), que é o departamento de “pesquisa” do Christian Heritage College e estabelece as normas que são seguidas por todos os membros da faculdade e pesquisadores. Ela deixa claro quais são suas verdadeiras crenças. Não há nada de científico no “criacionismo científico”:
Acreditamos na absoluta integridade das Sagradas Escrituras e em que foram totalmente inspiradas pelo Espírito Santo quando seus originais foram escritos por homens preparados por Deus para este objetivo. As escrituras, tanto o Antigo como o Novo Testamento, são inerrantes sobre qualquer assunto que abordem e devem ser aceitas em seu sentido natural e planejado [...] todas as coisas no universo foram criadas e feitas por Deus nos seis dias da criação especial descrita no Gênesis. O relato criacionista é aceito como factual, histórico e claro, e assim é fundamental para o entendimento de cada fato e fenômeno no universo criado.
2. Nem o criacionismo nem o evolucionismo são científicos porque “a ciência só se ocupa do aqui-e-agora e não pode responder a perguntas sobre a história da criação do universo e as origens da vida e do homem”.
Isto, é claro, derruba o “criacionismo científico” e o argumento #1, mas é falso, de qualquer forma, porque o fato é que a ciência lida com fenômenos do passado, como é o caso de ciências históricas como a cosmologia, geologia, paleontologia, paleoantropologia e arqueologia. Há ciências experimentais e ciências históricas, que usam metodologias diferentes, mas que se equivalem em sua capacidade de entender a causalidade, e a biologia evolucionária é uma ciência histórica válida e legítima. Se esta afirmação fosse correta, grande parte da ciência, e não apenas o evolucionismo, seria estéril.
3. Já que a educação inclui aprender todos os pontos de vista sobre um assunto, é apropriado que tanto o criacionismo quanto o evolucionismo sejam ensinados lado a lado nas escolas públicas. Não fazer isto viola a filosofia da educação e a liberdade dos criacionistas, ou seja, nós temos o direito de ser ouvidos. Além disto, que mal há em se ouvir ambos os lados?
Apresentar múltiplos pontos de vista sobre cada assunto certamente faz parte do processo educacional e poderia ser apropriado discutir criacionismo em aulas de religião, história e até mesmo filosofia, mas certamente não de ciência, não mais do que cursos de biologia devam abordar os mitos da criação dos índios americanos. Não tratar de tais assuntos não viola os direitos de ninguém, já que em lugar nenhum na natureza ou na constituição está dito que todos têm direito a ensinar criacionismo nas escolas públicas. Os direitos não existem na natureza. Direitos são um conceito construído por humanos para proteger certas liberdades, mas degeneraram em pedidos de privilégios especiais para praticamente cada grupo e indivíduo na América que deseja algo que não tem. E, por fim, faz muito mal ensinar “criacionismo científico” como se fosse ciência porque é uma agressão a todas as ciências, não apenas à biologia evolucionária. Se o universo e a Terra tivessem apenas 10 mil anos de idade, a cosmologia, astronomia, física, química, geologia, paleontologia etc. seriam invalidadas. O criacionismo não pode nem mesmo estar parcialmente correto. No momento em que se admite uma causa sobrenatural para o surgimento de uma única espécie que seja, todas poderiam ter sido criadas assim e as leis da natureza perderiam a utilidade e o sentido.
4. Há uma espantosa correspondência entre os “fatos” da natureza e os “atos” da Bíblia. Portanto, é apropriado referenciar os livros de “criacionismo científico” à Bíblia e considerar a Bíblia como um livro de ciência, tanto quanto o livro da natureza.
A verdadeira mentalidade dos criacionistas pode ser vista na citação de Henry Morris abaixo. Ele dirige o Institute for Creation Research e suas palavras revelam sua preferência pela fé como autoridade no caso de se encontrar qualquer evidência empírica contraditória (o que demonstra que eles não têm nenhuma metodologia científica):
A principal razão para se insistir no Dilúvio Universal como um fato histórico e como base para a interpretação geológica é que é isto que a Palavra de Deus nos ensina! Não podemos permitir que dificuldades geológicas, reais ou imaginadas, tenham precedência sobre as claras afirmações da Bíblia e as implicações que necessariamente resultam delas.
Seria ridículo imaginar os professores da CALTECH, por exemplo, defendendo uma crença cega deste tipo no livro de Darwin ou no de Newton no sentido de que nenhum fato discordante pudesse ter precedência sobre a autoridade do livro.
5. A teoria da seleção natural é tautológica, ou seja, é uma forma de raciocínio
circular. Aqueles que sobrevivem são os mais bem adaptados. Quem são os mais
bem adaptados? Aqueles que sobrevivem. Da mesma forma, rochas são usadas para
datar fósseis e fósseis são usados para datar rochas. A ciência não pode se basear
em tautologias.
Criacionistas têm uma visão muito simplista e um entendimento ingênuo de como funcionam a seleção natural e as forças geológicas. Em primeiro lugar, a seleção natural não é o único mecanismo de mudança orgânica (p.ex., Darwin escrevou um livro inteiro sobre a seleção sexual). Em segundo lugar, a genética da população mostra claramente, e com previsões matemáticas, quando a seleção natural vai provocar ou não mudanças numa população. Em terceiro lugar, é possível se fazerem previsões com base na teoria da seleção natural e então testá-las, como os geneticistas fazem no exemplo acima ou os paleontologistas fazem ao interpretar o registro fóssil. A seleção natural e a teoria da evolução são testáveis e falsificáveis. Se encontrássemos fósseis de hominídeos na mesma camada geológica que os trilobitas, por exemplo, teríamos uma evidência contra a teoria. A datação de fósseis a partir da rochas e vice-versa só pode ser feita depois que a sequência de camadas foi estabelecida. Esta sequência não é encontrada inteira em nenhum lugar porque as camadas estão interrompidas, deformadas e sempre incompletas por várias razões. Por outro lado, a ordem das camadas não é aleatória e a ordem cronológica pode ser determinada usando-se um conjunto de técnicas, sendo que os fósseis são apenas uma delas.
6. “Só há duas explicações para a origem da vida e a existência do homem, das plantas e dos animais: ou resultam do trabalho de um criador ou não”. Como as evidências não sustentam a teoria da evolução (ou seja, ela está errada), o criacionismo tem que estar certo. Qualquer evidência “que não é a favor da teoria da evolução é necessariamente a favor do criacionismo”.
Desconfie dos que dizem que “só há duas...”. Este é o clássico erro lógico conhecido como a falácia do isto-ou-aquilo, ou falácia das falsas alternativas. Se A é falso, então B tem que ser verdade. Ah é? Por que? Será que B não pode ser verdade sem depender de A? Claro que sim. Portanto, mesmo que se descubra que a teoria da evolução está totalmente errada e tudo não passou de um grande engano, isto não significa que, por mágica, o criacionismo esteja certo. Talvez haja alternativas C, D e E que ainda temos que considerar. Entretanto, há uma dicotomia verdadeira no caso de explicação natural versus explicação sobrenatural. Ou a vida foi criada e evoluiu por meios naturais ou não. Cientistas assumem que as causas foram naturais e os evolucionistas discutem as várias causas envolvidas, e não se tudo aconteceu por meios naturais ou sobrenaturais.
7. A teoria da evolução é a base do marxismo, comunismo, ateísmo e imoralidade e é a causa do declínio generalizado dos valores morais e da cultura da América, portanto é ruim para nossas crianças.
Neste argumento, começamos a ver que o criacionismo tem como base cultural um movimento social e político, e não científico. É por isto, em parte, que eles apelaram para o sistema legislativo numa tentativa de fazer com que o Estado imponha o ensino de sua “ciência” aos estudantes. Mas as leis não podem transformar um sistema de crenças em algo científico. Apenas os cientistas podem fazer isto.
A teoria da evolução, em particular, e a ciência, de modo geral, não são as responsáveis por estes “ismos” assim como as impressoras não são responsáveis pelo livro “Mein Kampf”, de Hitler. O fato de que a ciência da genética tenha sido usada para reforçar teorias raciais sobre a inferioridade inata de alguns grupos não significa que nós devamos abandonar o estudo da genética. Pode muito bem haver evolucionistas marxistas, comunistas, ateus e até imorais (seja lá qual for a definição de imoralidade), mas provavelmente há outros tantos evolucionistas capitalistas, teístas (ou agnósticos) e de moral inatacável. Quanto à teoria propriamente dita, pode ser usada para justificar o marxismo, o comunismo e o ateísmo, e foi, mas também tem sido usada (especialmente na América) para dar respeitabilidade científica ao liberalismo capitalista. Associar teorias científicas a ideologias políticas é um assunto perigoso e devemos ter cuidado ao fazer conexões sem evidências claras.
8. A teoria da evolução e seu amante, o humanismo secular, são, na verdade, uma religião, portanto não devem ser ensinadas nas escolas públicas.
Chamar a ciência da biologia evolucionária de religião é definir religião de uma maneira tão genérica que ela se torna totalmente sem sentido. Ciência é um conjunto de métodos criados para descrever e interpretar fenômenos observados ou inferidos, passados ou presentes, com o objetivo de se construir um corpo de conhecimentos aberto à rejeição ou confirmação. Religião – qualquer que seja – certamente não é “testável” nem “aberta à rejeição ou confirmação”. Da mesma forma, o “secular” de humanismo secular significa, por definição, “não religioso” e, portanto, não pode ser considerado religioso. As metodologias da ciência e da religião apontam em direções totalmente opostas.
9. Muitos dos principais evolucionistas são céticos quanto à teoria e a consideram
problemática. Por exemplo, a teoria do equilíbrio pontuado de Stephen Jay Gould e
Niles Eldredge provou que Darwin estava errado. Se os maiores evolucionistas do
mundo não conseguem entrar num acordo, a coisa toda deve ser uma bobagem.
É particularmente irônico que os criacionistas tenham que citar o principal opositor ao criacionismo – Gould – nas suas tentativas de usar a ciência em seu benefício. Os criacionistas interpretam de forma errada, ou por ingenuidade ou intencionalmente, o saudável debate científico entre evolucionistas quanto aos agentes que causam as mudanças orgânicas. Eles parecem achar que esta troca normal de idéias e a natureza auto-corretiva da ciência são uma prova de que o evolucionismo está se esfarelando. Evolucionistas debatem e discutem sobre muitos detalhes, mas todos eles concordam sobre uma coisa: a evolução ocorreu. O que eles continuam debatendo é exatamente como ela ocorreu e qual a importância dos diversos mecanismos que a provocam. A teoria do equilíbrio pontuado de Eldredge e Gould é um refinamento e um aperfeiçoamento da teoria mais geral de Darwin. Ela não prova que Darwin estava errado assim como a relatividade de Einstein não prova que Newton estava errado.
10. A história da teoria da evolução em particular, e da ciência em geral, está cheia de
teorias erradas e idéias derrotadas. O homem de Nebraska, o homem de Piltdown, o
homem de Calaveras e o Hesperopithecus são apenas algumas das besteiras que os
cientistas fizeram. Fica claro que a ciência não merece confiança e as teorias
modernas não são melhores que as antigas.
Mais uma vez, esta é uma confusão grosseira sobre a natureza da ciência, que está constantemente construindo novas idéias sobre as idéias do passado. A ciência não apenas muda, ela se baseia no passado e avança para o futuro. Comete muitos erros, mas a característica de auto-correção do método científico é uma das suas mais belas qualidades. Fraudes como a do homem de Piltdown ou do homem de Calaveras e erros honestos como o do homem de Nebraska e do Hesperopithecus são, mais cedo ou mais tarde, descobertos. A ciência tropeça às vezes, mas levanta a si mesma, sacode a própria poeira e segue em frente. Como disse Einstein, a ciência pode ser “primitiva e infantil”, mas “é a coisa mais preciosa que temos”. É particularmente paradoxal que os “cientistas” criacionistas usem a retórica da ciência de modo a parecerem pesquisadores sérios e, ao mesmo tempo, ataquem exatamente as virtudes da ciência que eles dizem ter.
11. Todas as causas têm efeitos. A causa de “X” tem que ser “do mesmo tipo que X”, ou
seja, a causa da inteligência tem que ser inteligente. Além disto, se recuarmos no
tempo em busca da causa de cada causa, é preciso concluir que vamos acabar
encontrando uma primeira causa – Deus. O mesmo acontece com o movimento
(todas as coisas em movimento devem ter tido um primeiro motor, um motor que não
precisa de outro motor para se mover – Deus). Além disto, todas as coisas no
universo têm um propósito, portanto tem que existir um projetista inteligente.
Se isto fosse verdade, então a natureza deveria ter uma causa natural, e não uma causa sobrenatural! Mas isto não é verdade: a causa de “X” não precisa ser “do mesmo tipo que X”. A “causa” da tinta verde é tinta azul misturada com amarela, e nenhuma delas é verde. Esterco animal faz as árvores frutíferas crescerem melhor. As frutas são deliciosas de se comer e, portanto, nem um pouco parecidas com esterco! Os argumentos da primeira causa e do primeiro motor, brilhantemente proferidos por São Tomás de Aquino no século 14 e ainda mais brilhantemente refutados por David Hume no século 18, são facilmente respondidos com apenas mais uma pergunta: quem ou o que causou e moveu Deus? Além disto, como Hume demonstrou, “propósito” é muitas vezes uma coisa ilusória e subjetiva. “O pássaro que madruga pega a minhoca” é uma boa idéia se você for o pássaro, mas não se você for a minhoca. Dois olhos parece ser a quantidade ideal, mas, como Richard Hardison comentou, “não seria bom ter um olho a mais na nuca e ainda um outro na ponta do dedo indicador para ajudar quando você estivesse mexendo atrás do painel de um automóvel?” Propósito é, em parte, aquilo a que estamos acostumados. A verdade é que nem tudo foi lindamente projetado e com um propósito. Mesmo sem falarmos no problema do mal, das doenças e deformidades que os criacionistas convenientemente fingem não ver, a natureza está cheia de coisas bizarras e sem propósito aparente. Os bicos dos seios masculinos e o polegar dos pandas são apenas dois exemplos do que Gould gosta de exibir como estruturas mal projetadas e sem propósito. Se Deus graciosamente projetou a vida para se encaixar perfeitamente como as peças de um quebra-cabeças, como você explica essas esquisitices?
12. Uma coisa não pode ser criada a partir do nada, dizem os cientistas. Portanto, de
onde veio o material para o Big Bang? E de onde vieram as primeiras formas de
vida que deram origem à evolução? A experiência de Stanley Miller, que criou
aminoácidos a partir de uma “sopa” orgânica e outras moléculas biogênicas não é
a criação da vida.
A ciência não tem condições de responder a perguntas “definitivas” do tipo “o que havia antes do começo do universo?”, “que horas eram antes do tempo começar?”, “de onde veio a matéria para o Big Bang?”. Estas perguntas são filosóficas ou religiosas, não científicas, e portanto não são parte da ciência. A teoria da evolução tenta entender as causas da mudança depois que o tempo e a matéria foram “criados” (seja lá o que isto signifique). Quanto às origens da vida, a bioquímica tem uma explicação bem racional e científica para a evolução de compostos inorgânicos para orgânicos, a criação de aminoácidos e a contrução de cadeias de proteínas, as primeiras e primitivas células e assim por diante (e Miller nunca afirmou ter criado vida, apenas algumas das partes que a formam). Embora estas teorias ainda tenham pontos fracos e estejam sujeitas a intensos debates científicos, já mostram que existe uma explicação razoável sobre como se avançou do Big Bang até o cérebro humano no universo que conhecemos.
ARGUMENTOS “CIENTÍFICOS” E RESPOSTAS
13. As estatísticas mostram que, à taxa atual de crescimento e considerando a
população atual, havia apenas duas pessoas vivendo há, aproximadamente, 6300
anos atrás, ou seja, 4300 a.C. Isto prova que a humanidade e a civilização são bem
recentes. Se a Terra fosse mais velha, com um milhão de anos, por exemplo, após
25000 gerações a uma taxa de crescimento de 0,5% e uma média de 2,5 crianças
por família, a população de hoje seria de 10 elevado a 2100 pessoas., o que é
impossível, já que só há 10 elevado a 130 elétrons no universo conhecido.
Como Disraeli comentou (e Mark Twain repetiu), há três tipos de mentiras: “mentiras, mentiras descaradas e estatísticas”. Mas, se você quer jogar o jogo dos números, eis mais alguns: segundo esta análise, em 2600 a.C. haveria uma população total na Terra de umas 600 pessoas. Nós sabemos com um alto grau de certeza que, em 2600 a.C., havia civilizações florescendo no Egito, Mesopotâmia, vale do rio Indo, China etc. Se, generosamente, dermos ao Egito 1/6 da população mundial, teriam sido necessários alguns milagres ou talvez a ajuda de antigos astronautas para que 60 pessoas conseguissem construir as pirâmides, sem falar em todos os outros monumentos arquitetônicos! O fato é que as populações não crescem de maneira constante. Há períodos de grande expansão e outros até com diminuição. A história da população humana antes da Revolução Industrial é uma série de momentos de crescimento e prosperidade seguidos por fome e declínio. A curva populacional está cheia de picos e vales ao longo dos milhares de anos em que a humanidade lutou para escapar da extinção, embora, em média, tenha sempre crescido, ainda que bem lentamente. Foi apenas a partir do século 19 que a taxa de crescimento se acelerou.
14. A seleção natural só causa pequenas mudanças nas espécies – microevolução. As
mutações que os evolucionistas usam para explicar a macroevolução são sempre
prejudiciais, raras e aleatórias, e não podem ser vistas como a força que
impulsiona a mudança evolucionária.
Jamais esquecerei as quatro palavras que o biólogo evolucionista Bayard Bratstram martelava em nossos cérebros quando estudávamos na Universidade Estadual da Califórnia, em Fullerton - “Mutantes não são monstros”. O que ele queria dizer é que aquilo que o público em geral entende como mutação são as vacas de duas cabeças apresentadas em feiras rurais e coisas assim, mas não é este tipo de mutação que os evolucionistas estudam. Ninguém dirá que mutações assim são benéficas, mas a maioria das mutações são apenas pequenas aberrações genéticas ou cromossômicas que causam efeitos mínimos. Alguns destes pequenos efeitos podem ser benéficos a um organismo que vive num meio ambiente sujeito a constantes variações. Além disto, a teoria moderna da “especiação alopátrica”, sugerida por Ernst Mayr e integrada à paleontologia por Eldredge e Gould, demonstra precisamente como a seleção natural, em conjunto com outras forças e circunstâncias da natureza, pode produzir – e produz – novas espécies.
Nota: especiação alopátrica ou geográfica é o surgimento de novas espécies devido ao isolamento geográfico.
15 . Não há fósseis de transição em nenhum lugar, incluindo e especialmente humanos.
O registro fóssil inteiro é uma coisa embaraçosa para os evolucionistas. Os
neandertais, por exemplo. Não passam de esqueletos doentes – artrite, deformações
por desnutrição etc., o que explica as pernas arqueadas, supercílio saliente e
esqueleto maior. E o Homo Erectus e o Autralopithecus são apenas macacos.
Os criacionistas sempre citam o famoso trecho de “A origem da espécies”, de Darwin, onde ele pergunta: "Por que então todas as formações geológicas e todos os estratos não são ricos em formas intermediárias? O certo é que a geologia não revela nenhuma cadeia orgânica com uma progressão perfeitamente gradual e talvez seja esta a mais grave objeção que possa ser anteposta à minha teoria". Uma resposta é que exemplos de fósseis transicionais foram descobertos em abundância desde a época de Darwin. Basta pesquisar em qualquer texto sobre paleontologia. Uma segunda resposta foi fornecida em 1972 por Eldredge e Gould, quando eles mostraram que lacunas no registro fóssil não indicam falta de dados sobre uma mudança lenta e gradual. Na verdade, isto é evidência de mudanças súbitas em determinadas ocasiões. Usando a “especiação alopátrica” de Mayr, onde populações “fundadoras” pequenas e instáveis ficam isoladas na periferia de populações maiores, eles mostraram que a mudança relativamente rápida nestas pequenas populações cria novas espécies, mas deixa para trás poucos fósseis, quando deixa. O processo de fossilização ocorre raramente. Ele quase não existe durante esses tempos de especiação rápida. A falta de fósseis é uma evidência de que a mudança foi rápida, e não uma falta de evidência de evolução gradual.
16. A Segunda Lei da Termodinâmica prova que a evolução não pode ter ocorrido, já
que o universo e a vida se movem do caos para a ordem e do simples para o
complexo, o oposto exato da entropia prevista pela Segunda Lei.
Em primeiro lugar, em qualquer escala de tempo que não seja a maior de todas – 600 milhões de anos de vida sobre a Terra – as espécies não evoluem do simples para o complexo e a vida não se move assim tão simplesmente do caos para a ordem. A história da vida é toda marcada por começos fracassados, experiências que falharam, pequenas extinções e extinções em massa, e recomeços caóticos. Não se parece nem um pouco com aquelas figuras coloridas das revistas que mostram a vida evoluindo da primeira célula viva até os humanos. Entretanto, mesmo numa escala maior de tempo, a Segunda Lei permite esta mudança porque a Terra está dentro de um sistema que recebe energia externa do Sol continuamente. Enquanto o Sol brilhar, a vida poderá continuar progredindo e evoluindo, da mesma forma que os automóveis podem ser protegidos da corrosão, hambúrgueres podem ser aquecidos no forno e muitas outras coisas que parecem violar a Segunda Lei e a entropia podem continuar existindo. Mas, assim que o Sol se apagar, a entropia voltará a aumentar e a vida acabará. A Segunda Lei da Termodinâmica se aplica a sistemas fechados e isolados. Como a Terra recebe um fluxo constante de energia do Sol, a entropia deve diminuir e a ordem aumentar (mesmo que o Sol esteja caminhando para o fim durante este processo). Deste modo, a Terra não é exatamente um sistema fechado e a vida pode evoluir sem violar a lei natural. Além disto, pesquisas recentes sobre a teoria do caos mostram que a ordem pode ser e é gerada espontaneamente a partir de um caos aparente, sem violar a Segunda Lei da Termodinâmica. A evolução não contraria a Segunda Lei da Termodinâmica assim como não se contraria a lei da gravidade quando se dá um pulo.
17. Até mesmo a mais simples forma de vida é complexa demais para ter surgido
aleatóriamente. Considere um organismo simples constituído de apenas 100 partes.
Matematicamente, há 10 elevado a 158 possíveis maneiras de se combinarem as partes.
Não há moléculas suficientes no universo para atingir este número ou tempo desde o início
do universo para que todas essas possíveis combinações ocorram até mesmo numa forma
de vida tão simples, quanto mais num ser humano. O próprio olho humano sozinho já é
difícil de se explicar por meio de uma evolução aleatória. Equivale a um macaco conseguir
digitar Hamlet ou mesmo apenas “to be or not to be”. Não acontecerá por acaso.
A seleção natural não é “aleatória” nem funciona com base no “acaso”. A seleção natural preserva o que dá certo e elimina os erros. O olho evoluiu de uma única célula sensível à luz até o complexo olho de hoje em dia através de centenas, talvez milhares de passos intermediários, muitos dos quais ainda existem na natureza. Para que o macaco conseguisse digitar as 13 primeiras letras do monólogo de Hamlet por sorte, seriam necessárias 26 elevado a 13 tentativas. Isto é 16 vezes o tempo que decorreu desde o início do sistema solar. Porém, se cada letra correta é preservada e cada letra incorreta é eliminada, o processo ocorre muito mais rápido. Quanto mais rápido? Richard Hardison criou um programa de computador que selecionava as letras, mantendo as certas e eliminando as erradas, e só foram necessárias 335,2 tentativas para se chegar à sequência de letras TOBEORNOTTOBE. O computador levou menos de 90 segundos para isto. A peça inteira de Shakespeare pode ser “montada” em uns 4,5 dias!
18. A separação hidrodinâmica durante o Dilúvio explica a aparente sequência de
fósseis ao longo dos estratos geológicos. Os organismos mais simples e ignorantes
morreram no mar e estão nas camadas inferiores, enquanto que os mais complexos,
inteligentes e rápidos morreram em locais mais elevados.
Será que nem um único trilobita flutuou até um estrato superior? Será que nem um único cavalo burro estava na praia e se afogou num estrato inferior? Nenhum pterodáctilo voador conseguiu chegar acima da camada do Cretáceo? Não houve nenhum ser humano idiota que não tentou fugir da chuva? Falando de argumentos absurdos, tente imaginar como um barco de 150m de comprimento por 25m de largura e 15m de altura conseguiria abrigar dois indivíduos de cada uma das espécies na Terra, algo entre 10 a 100 milhões delas. Isto é um problema até para os criacionistas, portanto eles alegam que só havia 30.000 espécies, sendo que o resto se desenvolveu a partir deste grupo inicial, o que faz dos criacionistas os maiores defensores da evolução rápida! Além disto, como você alimentaria 60.000 animais por 371 dias? Pior ainda, como você impediria que 60.000 animais devorassem uns aos outros? E o pior de tudo, quem cuidava da limpeza?
19. As técnicas de datação dos evolucionistas estão erradas, não merecem confiança e
chegam a resultados aleatórios. Elas dão a falsa impressão de que a Terra é muito antiga
quando, na verdade, ela não tem mais que 10 mil anos, o que já foi demonstrado pelo Dr.
Thomas Barnes, da Universidade do Texas, em El Paso. Ele provou que a meia-vida do
campo magnético da Terra é de 1400 anos.
Em primeiro lugar, o argumento do campo magnético de Barnes assume erradamente que o decaimento do campo magnético é linear quando, na verdade, a geofísica demonstra que ele flutua ao longo do tempo. Além disto, chega a ser engraçado ver como os criacionistas descartam sem maiores comentários todas as técnicas de datação exceto aquelas que parecem confirmar suas crenças. Acontece que as várias técnicas de datação já provaram não apenas ser bastante confiáveis como também confirmam os resultados umas das outras. Por exemplo, as datações obtidas usando-se diferentes elementos em uma mesma rocha indicam todas a mesma antiquidade.
20. A classificação dos organismos acima do nível das espécies é arbitrária e inventada por
humanos. A taxonomia não prova nada.
A ciência da classificação é, sem dúvida, uma criação do homem, assim como todas as ciências. Entretanto, o agrupamento dos organismos não tem nada de arbitrário, ainda que haja alguma subjetividade envolvida. O objetivo básico da cladística é fazer com que a taxonomia não seja subjetiva. A classificação hierárquica dividida em itens e sub-itens é uma das principais fontes de evidências de que houve uma evolução. Não há nada arbitrário, por exemplo, em se classificar humanos e chimpanzés em separado. Ninguém confunde um com o outro. Um teste interessante desta afirmação é perceber que culturas diferentes chegam às mesmas conclusões. Por exemplo, biólogos ocidentais e nativos da Nova Guiné identificam os mesmos tipos de pássaros como sendo espécies separadas. Tais agrupamentos realmente existem na natureza.
21. Se a evolução fosse gradual, não deveria haver lacunas entre as espécies, tornando a
classificação (taxonomia) impossível.
A evolução nem sempre é gradual. Com frequência, ela é esporádica. E os evolucionistas nunca disseram que não deveria haver lacunas. As lacunas não provam o criacionismo assim como períodos não documentados da história humana não provam que civilizações surgiram de repente.
22. “Fósseis vivos” como o celacanto e o caranguejo-ferradura (límulo) provam que toda a
vida foi criada de uma só vez.
Neste caso, o que dizer de todas as espécies extintas? Foram erros de Deus? Fósseis vivos (organismos que não mudaram por milhões de anos) apenas indicam que eles se adaptaram de uma tal forma ao seu meio ambiente estático e sem mudanças que não precisaram mudar mais. E há várias espécies de celacantos.
23. O problema das estruturas incompletas refuta completamente a seleção natural: uma nova estrutura que se desenvolve lentamente ao longo do tempo não representaria uma
vantagem para o organismo no início ou nos estágios intermediários, e sim apenas quando
já estivesse totalmente desenvolvida, o que só acontece por meio de criação divina. Por
exemplo: de que servem 5% de uma asa ou 55%? Para ser útil, tem que ser tudo ou nada.
Uma asa incompleta pode ser alguma outra coisa completa, como um regulador térmico para répteis ectotérmicos (que dependem de fontes externas de calor). E não é verdade que uma coisa em seus estágios iniciais seja completamente inútil. É melhor ter visão parcial que cegueira completa. É uma vantagem ser capaz de planar, mesmo que você não consiga um vôo totalmente controlado.
24. Estruturas homólogas (a asa do morcego, a nadadeira da baleia, o braço humano) são
uma prova do design inteligente.
É claro que, se apelarem para milagres e intervenções divinas, os criacionistas podem selecionar e escolher qualquer coisa na natureza como prova da ação de Deus e então ignorar o resto. Por outro lado, as estruturas homólogas não fazem nenhum sentido se partirmos do princípio de que Deus criou tudo do jeito que é hoje. Por que uma baleia deveria ter os mesmos ossos em sua nadadeira que um homem tem em seu braço ou um morcego em sua asa? Não há nenhum motivo. Um designer inteligente poderia fazer bem melhor que isto. Pelo contrário, estas estruturas similares indicam uma ancestralidade comum seguida de modificações, e não uma criação divina.
25. “A Bíblia é o registro da Palavra de Deus … tudo o que ela afirma é histórica e cientificamente verdadeiro. O Dilúvio universal descrito no Gênesis foi um evento histórico, e com efeito e extensão mundiais. Nós somos uma organização de homens de ciência cristãos que aceitam Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. A narrativa da criação divina de Adão e Eva como um homem e uma mulher e sua posterior queda em pecado são a base para nossa crença na necessidade de um Salvador para toda a humanidade”.
Uma tal declaração de fé é claramente religiosa, e não científica. Isto não a torna necessariamente errada, só que o criacionismo científico é, na verdade, criacionismo religioso e, desta forma, ultrapassa a barreira que separa religião e Estado. Em escolas particulares fundadas e/ou controladas por criacionistas, é direito deles ensinar a suas crianças o que quer que seja que eles queiram. Entretanto, querer que o Estado force os professores a ensinar uma doutrina religiosa como se fosse científica é irracional e oneroso.
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